segunda-feira, 17 de julho de 2017

Guia do Usado - Subaru Impreza

Não sei se alguém já reparou nisso, mas eu gosto de publicar dois textos sequenciais sobre automóveis rivais entre si, ou pelo menos que tenham muito em comum. Como falamos do Lancer anteriormente, acho justo manter a linha dos Rallys e carros que ao mesmo tempo tem uma legião de fãs pelo mundo afora e baixa expressividade aqui no Brasil. Talvez ainda mais difícil de achar do que o Mitsubishi, os carros dessa marca pertencem a um nicho de donos muito específico. O Subaru Impreza.


A Subaru produz automóveis há muitas décadas, assim como suas conterrâneas, mas ao contrário do que aconteceu com Civic, Corolla, e até mesmo com o Lancer, o Impreza não é um carro nascido nos anos 1970 que veio trocando de gerações. O Impreza nasceu em 1992 para colocar a Subaru no mercado dos sedans médios. Comum no Japão dos anos 1990, ele também tem uma versão cupê de duas portas e uma perua. A primeira geração seguiu até 1999.

Já é justo falar da icônica versão WRX e de sua variação ainda mais emblemática STi, as versões esportivas da linha que dominaram sua categoria nos Rallys da época. A grande diferença estética entre o sedan normal e o WRX da primeira geração é o grande pára-choque dianteira que abriga um par de faróis auxiliares que chama muita atenção. A segunda geração veio em 2000 e foi gradualmente mudando seus faróis (que nasceram redondos, grandes e estranhos) até 2006.


Em 2007, foi apresentada a 3ª geração, que eliminava a perua e trazia um hatch de 4 portas, essa versão ficou famosa com uma ajudinha do filme Velozes e Furiosos 4. Este veículo talvez seja o Impreza mais popular entre nós, que nesta versão vendeu muito mais do que o três volumes. Nem sempre o mercado tem a mesma opinião que você quanto a o que é melhor ou mais bonito. Em 2011 a Subaru lançou mais uma versão do Impreza, a que segue até a atualidade, mas devido a crise, as vendas no Brasil não foram tão boas quanto o período de 2007 a 2010.

Mas vamos voltar no tempo e falar dos modelos realmente impressionantes da linha. Aqui no Brasil é possível encontrar alguns Impreza tunados da primeira e segunda geração, carros que foram modificados após o primeiro filme Velozes e Furiosos de 2001, quando eram mais baratos de achar e devidamente exclusivos. Quem teve a sacada de comprar um no final dos anos 1990, além de ter feito um bom negócio, tem hoje um carro que não se acha mais.


Talvez o grande problema desses automóveis é que, como tratam-se de carros de alta performance, foram muito usados em track days, ou mesmo em rachas ilegais, colocando sob suspeita sua integridade mecânica. E são motores específicos, difíceis de achar mão de obra especializada. Eu os admiro, mas confesso que se você só quer um sedan confortável e bom de motor, vale mais a pena reler outras edições aqui do Rápidas que temos opções mais racionais.

A geração de 2007 começa em R$ 30 mil reais, no modelo hatch mais simples. Os carros de 2000 a 2006 são absolutamente difíceis de achar, já os mais antigos, justamente em estado duvidoso, podem ser encontrados por cerca de R$ 15 mil reais. Mas justiça seja feita, há alguns WRX perdidos em lojas de importados aqui na cidade, por eles você pode preparar de R$ 70 a R$ 100 mil reais, mas também levará a garantia e o apoio de especialistas nesse tipo de carro. Vale a pena? Só sua conta bancária pode saber.


Não deu pra escapar de colocar só fotos do ícone WRX. Em três gerações direfentes, 1999, 2005 e 20017. Aquele abraço!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Guia do Usado - Mitsubishi Lancer

Altamente conhecidos por sua tecnologia e confiabilidade mecânica, os automóveis japoneses estão entre os mais admirados no mundo todo. Aqui no Brasil, especialmente Honda e Toyota conquistaram o público há vários anos. Mas nem só de Civic e Corolla vive esse mercado, há no mínimo outras quatro ou cinco marcas que você conhece e que merecem muito respeito. E foi na linha de sedans médios que a Mitsubishi trouxe ao Brasil (entre idas e vindas) o Lancer.


Por aqui desde 1992, a história do Lancer não é como a de um automóvel comum com muitas gerações, a época é a mesma em que chegaram Civic e Corolla, mas há muito menos Lancer nas ruas. Um carro que nasceu sob outros nomes e marcas em diversos países (devido à acordos comerciais e parcerias) e está na ativa desde 1973. O modelo que conhecemos aqui é já da quinta geração. Que com mudanças sutis já estava na sexta em 1995 e nela se manteve até 2000 quando deixou de ser importado.

A tabela Fipe diz que em 2008 a Mitsubishi vendeu o Lancer por aqui, mas confesso que numa geral pela internet é difícil de acha-lo. O que muitos devem lembrar é, aí sim, em 2012 quando ele retornou com mais apoio da marca e das peças publicitárias, inclusive com uma controversa versão hatch. Desde então e até a atualidade ele está disponível como um concorrente pouco ortodoxo da categoria de sedans médios, pois seu viés esportivo é mais acentuado que os demais.


Na sua primeira passagem pelo Brasil ele fez uso de motores 1.6 e 1.8, as versões mais clássicas eram as GLX e GTi, normalmente dotados de câmbio automático hoje em dias esses modelos, além de raríssimos, também são complicados de achar em estado que valha a pena investir. Vez ou outra aparecem na internet em estado que estimularia uma aposta, mas é o carro que precisa aparecer na hora certa, e sabemos que essa hora certa é tão ou mais rara que o próprio Lancer.

Mas uma versão específica não pode deixar de ser mencionada. Sem importação oficial, o Evolution é um dos ícones do modelo, por sua performance esportiva levada ao extremo, gerada e fortemente inspirada nos mundiais de Rally de velocidade. O engraçado é que enquanto o Lancer normal está na 8ª / 9ª geração, o Evo já está na X, que por sinal foi anunciada como a última do modelo. Verdade ou golpe de marketing? Só o tempo dirá. Em matéria de Rally, ou é um Evo ou um bom Subaru WRX.


A Mitsubishi tenta até tirar um pouco do foco esportivo do Lancer e vendê-lo como um sedan normal, para executivos pais de família, mas o seu desenho não nega. Linhas retas e vincos pronunciados são marca desse carro que não passa mais tão despercebido quanto era a 20 anos atrás. Mas como todo carro novo, ainda mais se tratando dessa categoria, prepare o cheque mais gordo, pois eu não chamaria esse modelo de acessível.

Na versão 2012 ele parte de modestos R$ 45 mil reais. Muito para um usado? Possivelmente. Mas entre comprar um Lancer com baixa km e revisões em dia, e comprar um hatch zero quase pelo mesmo preço. Bom, você já sabem a minha opinião. Mas voltando para os primeiros brasileiros, um bom modelo da safra 1993 a 2000 (se vc encontrar) vai lhe custar entre R$ 15 e R$ 20 mil. Hoje em dia por um bom importado isso é o mínimo que você vai ter que investir. Lembre-se, o carro certo na hora certa fazem um bom negócio.


Em fotos, o EVO de 1999, uma versão GLX ano 1998 e o modelo atual na versão 2015. Aquele abraço!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Guia do Antigo - Lada

A Alemanha teve o Fusca, nos Estados Unidos foi o Ford T, na Italia o Fiat 500 e na França o Citroen 2CV. Muitos países tiveram o seu carro popular que mudou a história e ajudou a motorizar a população. Aqui no Brasil esse papel também foi creditado ao pequeno Volkswagen, mas quase 40 anos depois do Fusca motorizar o povo, com a liberação das importações aos automóveis, começamos a receber muitas opções de peso e algumas bem originais. Entre elas o veículo mais popular da Russia. Sim, os Lada estavam entre nós.


Apresentados ao público nacional em 1990, os russos tinham uma estratégia muito bem definida, pautada na resistência, baixo custo e funcionalidade. Resistentes pelo simples fato de sobreviverem na Russia, funcionais porque eram pensados para serem práticos, e baixo custo porque eram baratos. Bom, digamos que tradição e beleza não eram os argumentos de venda adequados, então eles precisavam de algo. Arrisco dizer que sua presença nas ruas foi mais significativa do que alguns chineses de hoje em dia.

Enfim, já vamos deixar claro que o texto de hoje não fala sobre o Niva, disparado o Lada mais popular por aqui, e justamente por isso ele merece um texto só dele. Tentaremos nos concentrar nos outros modelos da linha, como o Laika sedan, o Laika SW e o pequeno Samara. Ambos são muito raros de ver hoje em dia, mas são justamente os automóveis que deram a cara da marca no início dos anos 1990. Os Niva fizeram e fazem até hoje a alegria dos jipeiros mais descolados.


Dotados de um motor 1.5, os velhos Lada tem fama de não serem de difícil manutenção, por mais incrível que pareça falar isso. Talvez porque a Lada sempre foi uma fábrica acostumada a parcerias com grandes montadores ocidentais, muitas peças podem ser encontrados no mercado paralelo sem nenhum problema. O bicho pega mesmo na questão funilaria, que é sempre mais específica. Começando pelo hatch Samara, é um dos mais difíceis de achar e era a opção hatch que queria competir com os clássicos Uno e Gol quadrado.

Já a família composta por sedan e perua, os Laika, eram funcionais e bons concorrentes à Chevette, Ipanema e outras tantas duplas dessa configuração. Hoje em dia é tido com um carro extremamente simpático, e apesar de não ser um clássico, ele consegue juntar admiradores e com certeza desperta a atenção de qualquer fã de carros. De linhas quadradas e retas, sua frente lembra, com algum exercício de imaginação, os antigos Volvo.


A Lada é um símbolo da histórica liberação das importações, promovida por Fernando Collor. Para muitos é a primeira lembrança do que seria um "carro importado". Termo que hoje em dia já está tão difuso, uma vez que tem Land Rover e BMW fabricados aqui e muitas vezes compramos Clio "nacional" que fora montado na Argentina. Os Lada com certeza são hoje peça da história de um jeito que é muito improvável que os primeiros Chery QQ sejam tratados daqui há alguns anos.

Em oferta, naquelas lojas de periferia, da periferia, de alguma cidade da região metropolitana, é possível encontrar um Lada (que ligue, porque andar já é querer demais) por R$ 3.500 reais. O problema é que hoje em dia não existe mais o velho, só o antigo e clássico. Então você vai encontrar carro em bom estado acima de R$ 10 mil. Isso acaba sufocando o mercado, pois o carro não vale isso, por esse valor é mais interessante comprar um Fiat 147 impecável. Mas, acho que vale o texto e principalmente a história.


E nos modelos, os três citados, Laika sedan, SW e Samara. Aquele abraço!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Guia do Usado - Nissan March

Antes do "carro de tiozão" de 2007, poucos brasileiros tinham conhecimento mais amplo sobre a Nissan. Na verdade suas Frontier sempre foram famosas entre os fãs de pick up, mas as pessoas comuns, aquelas que compram carros pequenos, pouco sabiam sobre ela. Fabricando no Paraná, na fábrica da Renault, marca com a qual possui um aliança, começou então a querem ampliar seus domínios no mercado nacional. E assim como a Toyota fez, era hora de lançar um carro pequeno. O Nissan March.


Muito comum entre marcas que não participam desse segmento, a Nissan lançou o March em 2011/2012 com um bom pacote de equipamentos para chamar atenção de quem ainda comprava Uno e Gol. Não podemos dizer que ele é um fenômeno de vendas, mas o carro em si é justo no que promete e entrega. Nas versões 1.0 e 1.6, destaque para a potência do motor maior, digna de muito elogios de seus proprietários. O inconveniente fica a cargo do porta-malas, considerado bem pequeno.

É importante lembrar que estamos falando de um compacto urbano de verdade, diferente do que acontece na Renault com Logan e Sandero, quem dirige o hatch percebe que ele é bem grande na verdade. Poucos devem saber, mas o March e o Versa compartilham a mesma plataforma, mas no caso do sedan, esse sim é grande e espaçoso. A proposta da marca era de fato um carro de uso essencialmente urbano e para pessoas solteiras ou casais sem filhos.


Não há como saber se o público irá gostar do seu carro ou não antes de lança-lo. Assim como o HB20 conquistou as pessoas pelo design, pelo mesmo motivo as primeiras versões do Etios afugentaram as pessoas (ou seria ainda uma tática, pois a pessoa ia na Toyota pensando que agora poderia comprar um, se deparava com um carro feio e acabava saindo de Corolla). Fato é que o March não é um ícone da estética automotiva, mas foi reestilizado em 2015, o que no fundo não ajudou muita coisa.

Mas é uma coisa que eu sempre digo no mundo dos carros, nem só de beleza se faz um excelente automóvel. Os relatos que colhi dos proprietários me levam a crer que quem escolhe um March não se arrepende. É um carro bom de dirigir, econômico, anda bem e possui uma engenharia das mais confiáveis no mundo dos automóveis. Arrisco dizer que é a velha disputa entre razão e emoção, enquanto uns querem o status do HB20, outros simplesmente querem não se incomodar.


E nessa batalha do status contra o custo x benefício, uma das armas sempre será o preço. E aqui que o Nissan começa a se mostrar uma escolha muito mais racional. Quem quer um carro 0km compra o que quiser, mas se a sua escolha é por um seminovo, com certeza você da mais importância ao quanto está gastando. A curva de preços do March é muito favorável para quem opta por um usado. É um carro que apresenta uma desvalorização nos primeiros anos que realmente compensa o investimento.

No jargão popular, "bem conversadinho" já se encontra March a partir de R$ 20 mil reais. É bom ir com o desconfiômetro ligado, mas é um valor possível sim. A média tem ficado em R$ 25 mil para os modelos 2012 a 2014. Recentemente encontrei um 2016 por R$ 35 mil. Não que seja um preço excelente a se pagar por um usado, mas trata-se de um carro muito novo. A escolha fica sempre para quem vai usar o carro, a minha parte é encher um pouco de linguiça sobre cada modelo e assim a gente segue a vida.


Não há muitos períodos a analisar em carros recém lançados, como é o caso dessa semana. Então, um modelo 2012, 2014 e um 2016 com a nova frente. Aquele abraço! 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Guia do Usado - HB20

Carrinho da moda ou um novo queridinho do Brasil? Mesmo quando a Volks perdeu o posto de veículo mais vendido do país com o Gol, os carros que ocupavam o lugar não tinham tanto carisma, mas agora estamos num momento em que, pelo menos no bate papo das rodas automotivas, um carro tem conquistado a admiração do povo. Mas será que é empolgação por uma boa propaganda ou realmente esse carro veio para ficar? Algumas impressões sobre o tal do HB20.


Convenhamos que em 2012/2013 quando ele foi lançado, poderia ser visto como apenas mais um, era um carro bem equipado, com certeza, mas a marca Hyundai ainda não inspirava no brasileiro a confiança que passa hoje. Aliás, atualmente ainda há muitas pessoas receosas, tanto que o primeiro lugar em vendas ainda pertence a um velho e bom Chevrolet. Mas passados quase 5 anos de seu lançamento, hoje em dia um HB20 é tão comum nas ruas quanto um Gol, e virou sonho do primeiro carro de muita gente.

Junto com o hatch a Hyundai também lançou o sedan HB20S, que pode não ser tão comum nas ruas, pois na sua categoria o mercado ainda possui opções mais baratas e boas para a família, como Voyage e Prisma, mas deve-se admitir que o carro tem personalidade. A traseira é elegante e bem acertada, algo não tão comum quando se adiciona um bom porta-malas a um carro popular. Ambos estão disponíveis nas versões 1.0 e 1.6 e o que ouço falar é que a manutenção da Hyundai, embora não seja barata, está dentro dos parâmetros de qualidade que não dão dor de cabeça.


Com um design sólido e bem trabalhado, o HB20 é um carro discreto e ao mesmo tempo com bons ares de modernidade, talvez seu desenho seja o grande trunfo que faz dele mais interessante ao público do que um Etios ou um March. E foi pensando em mantê-lo atualizado que a marca promoveu um face-lift em 2016, mexendo um pouco na grade e algumas melhorias internas. Pode ser considerado um carro de baixa desvalorização, o que é bom para quem compra o zero km, mas não tão bom para quem está de olho no semi-novo.

Há algumas teorias da conspiração envolvendo o modelo, se procurarmos na internet iremos descobrir histórias de alguns modelos dos anos 2012 e 2013 que simplesmente pegaram fogo sozinhos. Um defeito elétrico geraria curto-circuito e se o carro estivesse quente poderia provocar um pequeno foco de incêndio que logo tomava as proporções do carro todo. Há mais de um caso assim, mas a Hyundai minimizou o problema e pouca coisa veio a público. Evite os modelos 2012/2013 da pré-série, no mais, é o mesmo risco de comprar qualquer outro carro.


Se eu compraria um? Bom, antes de comprar meu Sandero mais recente eu estive na Caoa testando um modelo 2014 com 15mil km rodados. Ou seja, a resposta é afirmativa. Eu acredito que trata-se sim de um carro compatível com a proposta de uma família pequena que usa o carro normalmente na cidade e que viaja algumas vezes por ano. Por que não comprei? Escolhi o Renault, era mais barato e mais bem equipado na comparação crua entre as duas opções.

Repito o que disse antes, é um carro que desvaloriza pouco, ou seja, você dificilmente encontrará um por menos de R$ 30 mil reais. Aí é uma questão de pôr na ponta do lápis se vale a pena gastar isso num carro pequeno. Os mais novos chegam fácil próximo de R$ 40 mil que é quase o valor de um zero. Na minha opinião, é um carro que ainda precisa estabilizar no mercado de usados, nunca se sabe se os disponíveis não são apenas porque tinham algum problema que incomodou os donos. Cautela, mas me parece um bom carro.


E começando por um modelo 2013, passando para o Sedan 2015 e um R-Spec (versão mais apimentada) 2016. É isso por hoje, aquele abraço!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Guia do Antigo - Variant e TL

Depois de uma pequena volta pelo mundo dos carros, dos esportivos aos luxuosos, nada como voltar para a Terra e lembrar dos antigos nacionais. A linha Vw à Ar dos anos 1960/1970 é um verdadeiro conjunto de clássicos. Nem só de Fusca e Kombi vivem os fãs dessas máquinas que trazem no coração o velho boxer criado por Porsche lá nos anos 1930, há muito mais a se explorar e se colecionar, cada um com um estilo e magia diferente. Hoje uma voltinha de Variant, TL e outros clássicos Vw à Ar!


Estabelecendo uma linha do tempo, sabemos que o Fusca e a Kombi passaram a ser comercializados no Brasil no início dos anos 1950, o que representa a entrada da Volks no país, mas foi no final dos anos 1960 que a Vw constituiu família por aqui. Me refiro primeiramente ao VW 1600, um sedan de 4 portas lançado em 1968 para brigar com o Ford Corcel. Não há muito o que se falar sobre este sedan, exceto que ele foi bem aceito num primeiro momento, mas isso não se refletiu em vendas, talvez seu maior destaque seja o apelido pelo qual ficou famoso, Zé do Caixão.

Em 1969 nascia um carro que mudaria os paradigmas da história, pelo menos no meu modo de ver as categorias automotivas, foi lançada a Variant, uma perua espaçosa mas ao mesmo tempo compacta. Receita que a Ford seguiu de 1970 até 1977, até lançar a Belina II. Mas a Variant foi sim um grande destaque, vendeu bem e fez a alegria das família que precisavam de um carro grande e barato. Foi reestilizada em 1971 e ganhou uma versão Variant II em 1977 (mas ainda era compacta), foi a avó da perua mais amada da história desse país, a Parati.


E em 1970, o membro mais invocado esportivo dessa leva (deixando o SP de fora, pois ele merece um texto único), a Vw TL chegou com a velha frente alta, mas com 4 faróis redondos, e já em 1971 passou à frente baixa e seu sucesso só cresceu. 1972 e 1973 foram grandes anos para o TL que chegou a ter versão de 4 portas, já que substituiu o Zé do Caixão. Mas, como o mundo anda rápido, a Vw resolveu lançar o Passat em 1974 e isso aniquilou as vendas do TL. Seguiu em linha até 1976 com número de vendas caindo sempre. Mas é um clássico em estilo e design.

Confesso que nunca tive contato próximo com os modelos que escrevo hoje, certa vez avaliei uma TL 1972 quando estava à procura do meu primeiro Fusca, e dois grandes amigos já tiveram Variant (coincidência ou não, ambas vermelhas). O Zé do Caixão, conheci um colega de trabalho que tinha um, na cor vinho. O que sabemos é que não há problema se o assunto é motor e o comportamento é muito próximo ao do Fusca. No mais, foi uma forma da Vw diversificar seu portfólio, mas infelizmente essa plataforma não faria mais sucesso nos anos 1980.


Hoje em dia há verdadeiras seitas que idolatram os velhos Volkswagen, clubes espalhados pelo Brasil e pelo mundo ainda mantêm viva a história dessas peças fundamentais na evolução dos automóveis. E digo mais, para quem quer entrar no mundo dos antigos, não há nada mais acessível do que um bom Volkswagen. Há muita disponibilidade no mercado, nos mais diversos estados, e no geral a restauração de um carro em mau estado é muito simples e barata.

Lógico que o campeão dos preços baixos ainda é o Fusca, mas é possível encontrar boas TL e Variant em torno de R$ 10 mil reais. Se você achou muito caro, saiba que hoje em dia um Corcel I, Chevette Tubarão ou Passat de faróis redondos, dificilmente custam menos que isso. Sem falar que esses Vw possuem um charme e carisma herdados do carro mais simpático do mundo (na minha humilde opinião), o que torna eles mais reconhecidos como antigos do que os outros citados, preferidos pelos "boy de vila".


Lá do início, uma bela Variant frente alta 1970, seguindo de um TL 1973 no estilo que o consagrou e fechando com a Variant II de 1978. Aquele abraço!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Guia dos Sonhos - Cadillac

A marca de hoje não está disponível formalmente no mercado brasileiro, talvez por decisão da GM mundial, optou-se por nunca se oferecer automóveis dela por aqui. É um símbolo da história dos carros de luxo nos EUA, ao ponto que o rei do rock Elvis Presley era grande fã e possuiu vários modelos. Confesso que nunca me havia ocorrido de escrever sobre ela, mas minhas últimas aventuras no mundo dos carros me deram uma outra visão. Com vocês, a Cadillac.


Fundada em 1902 por um ex-sócio de Henry Ford, enquanto este estava empenhado na popularização do automóvel, a ideia da Cadillac era a valorização de seus proprietários por meio do luxo. Hoje em dia sabemos que há espaço no mercado para todos os consumidores. A Cadillac logo chamou atenção de um novo grupo que estava se formando com objetivo de conseguir acesso a financiamentos de forma mais rápida e segura. Antes de 1910, Cadillac, Buick e outras marcas já faziam parte da gigante General Motors.

Eu gosto de dividir a história da Cadillac em duas fases, a fase clássica que vai desde a sua criação até os anos 1970 e a fase moderna que teve início no fim dos anos 1990 com a chegada do Escalade e se consolidou com o CTS em 2003. No meio disso tudo a marca continuou produzindo ótimos carros, mas no fim das contas eram sempre plataformas mundiais que ganhavam sua logo e um luxo forçado. Mesmo assim um Cadillac sempre será um Cadillac.


Da fase clássica é importante citar três modelos, o Eldorado (carro preferido de Elvis), o sedan DeVille e a limiusine Fleetwood. Se você nunca ouviu falar nessa marca, pelo menos um desses três modelos você já viu em filmes. Aqui em Curitiba é possível encontrar tanto o Eldorado como o DeVille, em alguns fins de semana de sol na praça da Espanha e feirinha do Largo da Ordem. Trazidos via importação independente, fazem parte do grupo de antigos que nem todo mundo consegue ter. Esses carros são mais do que dinheiro, mas sim oportunidade e boa dose de sorte.

Já do momento em que a marca renasce para o mercado, eu gosto de destacar a Escalade, um SUV gigantesco, bem ao estilo americano, que é o máximo de luxo que você terá num carro desse porte. Além é claro do sedan CTS de 2003, um sedan imponente mas de tamanho médio, que "popularizou" em vendas. E por fim o Cadillac que eu realmente conheço, o SUV médio XT5 de 2016, com motor V6 3.6 de 310cv, teto panorâmico, controle de tração e uma série de equipamentos que fazem dele mais confortável que a sala da casa de muita gente.


Por que eu conheço o XT5? Quando estávamos programando a viagem aos EUA eu fazia questão de alugar um carro americano, de preferência um sedan, aí reservei um Buick LaCrosse para quando chegássemos. Bom, eis que quando fui buscar o carro me ofereceram os tradicionais upgrades sem custo e eu acabei saindo de lá com o XT5 com apenas 4mil milhas rodadas (eu entreguei com quase 6mil). E assim pude passar quase 15 dias chamando este Cadillac de meu, cruzando três estados num misto de estradas, freeways, transito pesado e ruas desertas na America!

Um Cadillac dos anos 1950 e 1960 não tem preço, essa que é a verdade, aqui no Brasil devem valer em torno de R$ 300 mil reais se algum colecionador decidir vender. Nos EUA o sedan CTS do início dos anos 2000 pode ser visto nas lojas por cerca de U$ 5.000 dólares, sim, os preços de lá são assim mesmo. O XT5 é vendido 0km em torno de U$ 40.000 dólares, em reais só convertendo seriam uns R$ 130 mil + impostos, o preço dele se chegasse ao Brasil, deveria girar próximo dos R$ 400 mil reais.


Fatos em fotos, um XT5 nos arredores de Los Angeles (esse era o "meu"), um dos muitos Eldorado de Elvis Presley (sim, cor de rosa) e por fim, o popular CTS. E pra fechar, nada melhor que o Rei cantando em Vegas. Aquele abraço!