segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Guia do Antigo - Brasilia

É incrível como a história de certos modelos pode ser tão cativante, misturada aos acontecimentos daquele momento de um país, refletindo tantas decisões de grandes empresas e o próprio costume dos consumidores. Ao relatar sobre um automóvel, nós conseguimos entender quem éramos naquele tempo, como pensávamos, ou ainda como viveram nossos pais ou avós. Com o Volkswagen Brasilia, a matriz brasileira criou uma autêntica evolução do Fusca, não o suficiente para decretar o fim de sua era, mas sim para conviver e fazer história junto dele.


Um dos primeiros automóveis da Vw projetado fora da Alemanha, a Brasilia nasceu em 1973 (lançada cerca de três meses após o Chevette), com a nada fácil missão de substituir o Fusca. Isso ela não conseguiu fazer (a Vw só conseguiu isso com o Gol, e mesmo assim após 1987), mas a Brasilia foi um grande sucesso de vendas no país, chegando a emplacar quase 160 mil carros no ano de 1978, no auge da sua história. Saiu de cena em 1982, quando os esforços da marca estavam todos na família Gol (Voyage, Parati e Saveiro).

Um hatchback moderno, com a consagrada mecânica 1600 a ar do pequeno besouro, teve como maior inspiração a perua Variant. Teve apenas um retoque estético em 1976, no mais foi sempre o mesmo carro simpático de quatro faróis redondos na frente baixa. Quando criança andei muito em uma Brasilia vermelha que pertencia a um tio meu, talvez por isso eu guarde um grande carinho por este automóvel que, embora seja raro de ver hoje em dia, é um dos grandes clássicos da história dos Air Cooler.


A Brasilia era feita no Brasil e exportada para diversos países do mundo, inclusive com uma versão 4 portas (oferecida localmente em 1979). Naquele tempo, e essas são as curiosidades do mundo automotivo, o brasileiro não gostava de carros 4 portas, um costume que só mudou mesmo na metade dos anos 1990. Até então o que você via eram grandes carros só com 2 portas, como os casos clássicos de Santana e a Royale da Ford, uma perua grande, familiar, em que nada poderia fazer tanto sentido como portas traseiras.

Outra grande história envolvendo o modelo, tem relação com uma grande concessionária paulista que fez fama transformando carros nos anos 1970 e 1980. A Dacon é conhecida por diversas mudanças que promovia nos carros que vendia, com o intuito de torna-los exclusivos, num mercado limitado como era o Brasil sem importação oficial. E a lenda que eles criaram com a Brasilia foi a adaptação de um motor 1800 refrigerado à ar, que vinha do Porsche 912. Sim, Brasilia com motor de Porsche, você vê por aqui.


Nos dias atuais o modelo vêm ressurgindo das cinzas e se firmando como um grande clássico dos anos 1970, infelizmente a década de 1990 e os primeiros anos desse século foram ruins para a Brasilia, era comum vê-las maltratadas e caindo aos pedaços pelas ruas. No entanto, quem quisesse uma era extremamente barata em estados encaráveis. Como carro velho virou uma cultura, ainda mais em Curitiba, é bom tomar cuidado pra não comprar carro "impecável" que no fundo precisa de uma restauração completa.

Se falarmos em preço, hoje em dia um bom carro, alvo de uma boa procura, vai sair em torno de R$ 10 mil. Pode parecer caro, mas trata-se de um carro em ritmo de valorização bem acentuado, não é raro encontrar modelos acima de R$ 15 mil. Se a estrutura geral estiver boa e a mecânica bem regulada, você terá apenas prazer em dirigir. É difícil explicar, mas a sensação é realmente boa, diferente dos carrinhos de hoje em dia que são todos iguais.


Por hoje é só, aquele abraço!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Guia do Usado - Chrysler 300M e 300C

Admito que conforme passam os meses, os modelos vão ficando mais raros e o estudo para escrever tem que ser maior. Não é segredo para ninguém que eu tenho um apreço grande pelos sedans mais antigos, sobretudo aqueles com raízes nos anos 1990. Os importados que figuravam no Brasil na época tinham nessa categoria muitos dos seus representantes. Hoje o tópico é sobre dois sedans emblemáticos, cada um à sua maneira, do período de 1998 até 2010. Chrysler 300M e 300C.


Quando eu falo cada um à sua maneira é porque a maioria das pessoas só conhece o irmão mais novo, por causa de uma tal novela. Mas no mundo dos carros, o 300M lançado em 1998 é muito respeitado. Seu design mais afinado e suave, símbolo de inovação e tecnologia, era conhecido como um carro à frente do seu tempo. Um pouco raro de se ver hoje em dia, não foi propriamente um sucesso de vendas, mas é um carro que chama muita atenção. Seu motor, versão única, era o 3.5 V6 de 240hp.

O 300M foi encerrado em 2005 e substituído pelo 300C, alvo de muito mais investimento pela Chrysler, o carro vendeu bem no Brasil e hoje é um dos preferidos para base de Limousines por aqui. A primeira geração encerrou em 2010 e dali em diante é difícil vê-lo, a crise que quase acabou com a marca afetou fortemente suas operações no país. A motorização deste vinha desde o 2.7 V6 até o furioso Hemi V8 de 5.7L. Esse motor possui uma tecnologia que desliga 4cc em baixa velocidade, tornando o carro mais eficiente e econômico no dia a dia.


Outro modelo de destaque nesse portfólio era a 300C Touring, uma perua invocada que unia a frente imponente do sedan com uma traseira inconfundível. Grade em destaque e vidros dianteiros pequenos eram o símbolo de imagem que este carro passava. O 300C é grande e de frente alta, chama muita atenção independente do ano. Já o 300M tem um desenho muito mais clássico e limpo, suas linhas fluem com mais suavidade, típico dos clássicos sedans da década que o criou.

Há um leque de importados muito interessantes no mercado de usados, alguns modelos com preços até bem atrativos, e a regra é simples, qualquer carro usado precisa de uma série de cuidados. No caso de carros mais exclusivos, é importante ter em mente que não são carros pra uso diário, a manutenção, por melhor que esteja o estado do carro, é cara, e esse tipo de carro não faz seguro. É como dizem por aí, rico não quer porque já é velho e pobre não tem porque não consegue manter.


São carros para donos específicos, o que pode ser uma vantagem caso o seu sonho seja ter um carro desses, porque se você topar com alguém querendo realmente vendê-lo, você será um dos poucos realmente interessados e poderá negociar melhor o preço. Só não espere muita margem de condições, o dono desses carros quer grana e não seu 1.0 ou sua moto, e o valor é à vista, a não ser que a pessoa seja lojista.

Atualmente há um 300M à venda em Curitiba (que eu conheço) por pouco mais de R$ 30 mil reais. É um carro único, qualquer intenção de compra deve vir acompanhada de uma verdadeira dissecação do carro em busca de atributos que justifiquem a decisão de compra. No caso do 300C há mais opções, entre R$ 70 e R$ 100 mil reais, dependendo do ano e motorização. É efetivamente outro nível de carro, e se vale a pena ou não, só tendo pra saber.


Começando pelo clássico 300M de 1999, seguimos para o 300C Touring e por fim o 300C sedan de 2006. Aquele abraço!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Guia dos Sonhos - Ferrari

Ano novo, sonhos novos, mesmo não sabendo até que ponto conseguirei me aproximar de uma dessas, é inegável o peso que a marca de hoje tem no mundo automotivo. Mesmo que eu assuma que a minha marca de superesportivos preferida é a Lamborghini, é um fato que 99% das pessoas que não sabem nada sobre carros, muitas delas mal a reconheceriam, sabem o que é uma Ferrari. A marca italiana é sem dúvida um símbolo de carro, esportividade, exclusividade e luxo!


O mundo está acostumado a ouvir que a Ferrari nasceu em 1946/1947, o que não é de todo mentira, mas essa data refere-se ao lançamento do seu primeiro modelo de produção. Bons anos antes disso, lá em 1929, Comendador Enzo fundou sua marca, uma equipe de corridas de carros vinculada à Alfa Romeo. Patrocinando seus carros e pilotos foi moldando sua fama e seu espírito para depois começar a desenvolver os automóveis que são verdadeiras obras primas.

Então vamos direto às curiosidades. Enzo sabia que não poderia custear todo o seu sonho sozinho, então o que hoje muita gente sabe (que a Ferrari pertence à Fiat) é tão antigo quanto a própria marca. A Fiat adquiriu uma pequena parte da Ferrari já em 1942, e aos poucos foi aumentando a sua participação até que em 1969 já detinha o controle majoritário da mesma. Assim foi até 2014, quando a empresa se emancipa e leva sua sede administrativa para a Holanda.


Maquinas como a Ferrari Dino, de 1967, a clara inspiração do nosso Puma. Mas espere, o Puma nasceu em 1964! Essa é mais uma das histórias do mundo automotivo que embalam aquelas entusiasmadas conversas de encontros. O visual do Puma na verdade foi inspirado na Ferrari 275, mais antiga. O Dino tem muita semelhança sim, mas isso já vinha de casa. Entre outros modelos icônicos da Ferrari, eu gostaria de me ater aos clássicos da minha infância e adolescência, e para estes eu começo com a Ferrari mais incrível que eu já conheci, a F40.

Lançada em 1987, a F40 era um brutamontes dificílima de pilotar (dizem os sortudos que tiveram chance) de produção limitadíssima. Dos modelos mais "comuns" eu ainda destacaria da 512 Testarossa de 1991, as duas populares dos anos 1990, até fáceis de ver no dia a dia, a F355 e a F360 Modena, além da mágica (também limitada e comemorativa) F50 de 1995. Uma clara "evolução" da F40, o que eu chamaria de arredondamento, porque não há comparativos entre as duas, sendo a segunda mais tecnológica e de visual suave, enquanto a mais antiga é o clássico em "pessoa".


A Scuderia Ferrari foi evoluindo no mundo das corridas até se tornar uma das equipes mais tradicionais e emblemáticas da Fórmula 1. Mesmo tendo ficado décadas sem um título, o que mudou com a chegada de Michael Schumacher, o sonho de muitos pilotos sempre foi chegar à equipe do vermelho sangue. Barrichello conquistou sua primeira vitória e várias que vieram depois, quando pilotava pela equipe.

Por fim, uma Ferrari sempre será um sonho. Mesmo que você compre uma, você mesmo irá sonhar com ela enquanto não estiver dirigindo. No entanto, uma Ferrari, assim como uma Lamborghini ou um Porsche, são carros que exigem um caixa financeiro razoável. Não custa lembrar que a alíquota de IPVA no PR é de 3,5% do valor de tabela do carro. Isso significa cerca de 50 mil ou mais de imposto, num modelo novo. Alugar uma em uma viagem à Itália? Eu investiria nessa vertente antes de comprar uma.


É isso aí galera, 2018 (no Blog) demorou para começar porque de resto ta bem apurado! Aquele abraço!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Guia do Antigo - Jeep

Já contamos por aqui a história em que Adolf Hitler queria um carro para motorizar o povo alemão e acabou se tornando um instrumento de apoio importante na 2ª Guerra Mundial. O que ainda não havíamos falado é que o lado americano também teve o seu. Talvez a raiz de sua fama incondicional pelo mundo, o fora de estrada dos EUA, que começou como um combatente, hoje é um dos grandes símbolos de liberdade. Um pouco sobre a Jeep.


Fundada em 1941, a marca Jeep foi registrada em nome da Willys Overland, uma conhecida fabricante de automóveis da época, mas produção para o confronto dependia também da Ford e de outros fabricantes para atender a demanda. Não muito após o fim da guerra, o Jeep já chegou ao Brasil, onde foi fabricado entre 1950 e o início dos anos 1980. Primeiro pela Willys e posteriormente pela Ford que adquiriu a primeira ao longo dos anos 1960.

Trazidos via importação independente, é possível encontrar um raro modelo militar dos anos 1940, ou ainda algum que tenha pertencido ao exército brasileiro. Dos modelos da fase clássica, por fora as versões variam pouco de uma para outra, o estilo inconfundível permanece intacto ao longo dos anos. Há quem goste de ter um modelo em perfeito estado e os usa só para passeios, mas o forte dessa turma é o investimento em novas tecnologias e melhorias para os deixar apto para trilhas cada vez mais desafiadoras.


Basta encontrar um clube de Off Road que você verá, desde modelos japoneses e os agora febre Troller, mas certamente encontrará uma legião de Jeep com as mais diversas preparações. Um sonho, um estilo de vida, uma parte da história. Um Jeep é daqueles veículos que não são só mais um no meio da multidão. Tanto que são base de inspiração para quase todos os fora de estrada que vieram depois dele. Vide o próprio Troller, que hoje pertence à mesma Ford que ajudou a desenvolver o Jeep originalmente. O mundo dos carros dá voltas.

Lá nos EUA, o mundo deu essas voltas e a marca Jeep acabou nas mãos da Chrysler, e nos anos 1980 foi lançado o carro que mudaria a história da marca para sempre, um SUV estiloso, grande e familiar que traria novos rumos. Foi lançado o Cherokee, que é o grande carro chefe da Jeep até hoje e fez um estrondoso sucesso nos anos 1990. Mas a marca fez questão de manter o pequeno ágil em ação. De forma repaginada, hoje em dia o Jeep Wrangler, é o parente mais próximo ao DNA do original.


Vendido no Brasil até hoje, o Wrangler conserva sua história e seu estilo, mas trata-se de um automóvel de outro nível (e preço) se comparado ao bom e velho. Aliás, infelizmente, esse tipo de carro se tornou um símbolo de status diferenciado, que no fim das contas quem quer acaba tendo que pagar um preço alto demais. Entre os seus principais concorrentes nas trilhas de fim de semana, os japoneses da Suzuki conquistaram grande público.

Da fase clássica, entre os anos 1950 e 1980, um bom exemplar do Jeep é como um bom exemplar de Opala, custa tranquilamente na faixa dos R$ 30 mil reais. Há modelos mais baratos, com certeza, mas haverão motivos para isso, pois sua valorização é alta. Já os Wrangler, além de raríssimos, estão com seus valores ainda inflacionados, podendo ser encontrados acima de R$ 100 mil facilmente. Para quem pode pagar, há opções muito mais interessantes no mercado. Mas um Jeep Willys/Ford é um caso de charme e estilo emblemático, um verdadeiro clássico!


Nas versões 1966, 1980 (Ford) e 1998 (Wrangler). Fechando o ano com uma versão inusitada de Thin Lizzy na voz de uma musa romântica como Sade. Só digo uma coisa para todos vocês, 2018 promete! Aquele abraço!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Guia do Antigo - C10 / D20

Existem basicamente três marcas que dominaram a cena de automóveis (e caminhonetes) nos EUA ao longo do século XX. Hoje em dia a Dodge (que pertence à Chrysler) ainda mantém sua lembrança através da Ram, mas no Brasil ela não tinha representante nos anos 1970/80/90. Por aqui era Ford ou Chevrolet, e é da marca da gravata que vêm as pick-ups e suv que falamos hoje. O grande diferencial da GM é que as versões fechadas, além de serem de fábrica, são tão famosas quanto as de quem derivam. GM D20 / C10 / Veraneio / Bonanza.


A linha clássica da C10 foi lançada no Brasil lá por 1960, e desde então é uma das caminhonetes que fez a história do trabalho e posteriormente do lazer do brasileiros. Mas talvez a sua versão fechada tenha sido ainda mais famosa, a insuperável Veraneio era o ápice de luxo e conforto para viagens, coisa que sempre foi forte da Chevrolet, com carros como Opala e posteriormente Omega sendo referência nesses quesitos. De carro de polícia à tema de música, a Veraneio é um dos grandes clássicos nacionais.

Foi em 1985 que a GM começou a concorrer frente à frente com a Ford quando o assunto era pick up grande, com o lançamento da D20 a briga com a F1000 ficou intensa e durou até o fim de produção das duas entre 1997 e 1998, deixando lugar às novas gerações, no caso F250 e Silverado. Mas, na época o mercado já havia mudado e a fase era das menores, S10 e Ranger. Não me ocorreu falar antes, mas vale a citação, a Ford não possuía versão fechada porque era dona da Rural, que também tinha versão Pick Up, a F75, mas é outra história.


Ainda nas versões fechadas, a Veraneio migrou de geração quando do lançamento da D20, era um monstro quadrado de chassi longo e botava banca onde passava. Talvez tenha ficado tão grande que no mesmo período foi lançada a Bonanza, chassi curto e 2 portas para agradar quem precisava de algo mais dinâmico e ágil, mas ainda assim muito espaçoso e confortável. As pick ups da Chevrolet possuem um tom de classe e atenção aos detalhes mais aperfeiçoado do que as da Ford, que são mais brutas.

Ainda que do início dos anos 1990 em diante, até a virada dos SUV, essas caminhonetes sejam mais comuns como frotistas de grandes empresas, ainda é possível encontrar uma ou outra que tenham pertencido ao consumidor comum e tenham sido bem cuidadas. O problema é que essas valem muito mais dinheiro. Há ainda versões que saíram de fábrica com a caçamba de madeira, mais indicada ao trabalho pesado, o que baixa a estatística de preço, mas devem ser consideradas como outro carro.


As pick ups grandes, embora estivessem sempre presente nas estradas brasileiras, são veículos incomuns e por isso muito valorizados. Não importa o ano, sejam da década de 1960 ou do fim dos anos 1990, o que conta é a conservação e originalidade desses grandes. São frutos de uma época em que caminhonetes se assemelhavam mais a caminhões do que carros de passeio. Estigma quebrado pela Hilux e L200 no início dos anos 2000.

Os valores da linha Chevrolet não são diferentes da Ford, uma D20, independente se é 1985 ou 1995 vai custar próximo dos R$ 30 mil. Já as C10 mais antigas em bom estado, algumas hoje em dia fruto de customizações muito bem executadas, por passar fácil dos R$ 50 mil. Falando em personalização, há dois modos básicos, o embelezamento pró cidade, que serve para exposição e a feita para trilhas, que infelizmente descaracteriza e detona os clássicos. Mas, para quem é do Off Road, aí já é outra história.


Entre a Veraneio 1970, uma D20 simples 1995 e uma Tropical 1985, fica aí um pouquinho da histórias dessa pick-up de respeito.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Guia do Antigo - Ford F1000

Muito antes dessa onda SUV dos anos 2000, lá pela metade dos anos 1980, houve uma investida de grandalhões pelas ruas das cidades. Pick Ups hoje assumidamente grandes saíram do trabalho pesado e das fazendas para desfilar sua imponência nos centros urbanos. Numa época em que eram proibidas as importações de automóveis, essas mesmas caminhonetes foram base para transformações complexas, virando os Jipões da época. Ainda arrisco dizer que dois representantes eram de longe a maioria, entre eles, a de hoje é a F1000.


Uma das dominantes do mercado de caminhonetes desde os primórdios da humanidade automotiva, a Ford sempre se destacou aqui no Brasil. O modelo que evoluiu para F1000 era na verdade a F100 que já fazia sucesso desde 1957. Lançada em 1979, a diferença do 100 para 1000 era o motor à diesel desta mais atual. Foram algumas reestilizações ao longo dos anos, que a mantiveram atual até 1998, quando foi substituída por outra peso pesado, a F250.

O modelo lançado em 1979 era idêntica à F100 da época, que havia sido lançado no início dos anos 1970, o padrão da carroceria sempre se manteve o mesmo, tendo alterações significativas na grade, capô e mais simples na traseira ao longo dos anos. Teve uma pequena mudança em 1986, mas foi em 1992 que realmente deu diferença. A última mudança ocorreu em 1996 só para os três últimos anos da bruta. Nesse período final já sofria concorrência interna com a Ranger, que apesar de menor, se adaptava mais à demanda.


Outra grande característica das pick ups grandes do período é que elas eram base para adaptações para jipes com extrema inspiração nas primeiras Cherokke da Jeep. Uma das mais famosas talvez seja a empresa Tropical que fazia das F1000 cabine simples versões cabine dupla, caçamba fechada e até umas raras cabine tripla com uma pequena caçamba. Esses modelos são encontrados no mercado de usados com certa facilidade, no entanto, o estado pode variar muito e o mais comum é de mal à péssimo.

Motores diesel necessitam de uma manutenção mais especializada e confesso que é difícil de achar, mas em contrapartida, são carros que são bem menos suscetíveis à quebra e pelo tamanho de suas usinas podem até ser considerados econômicos. Outra particularidade é que modelos assim são fortes, com um torque normalmente invejável, mas não possuem grande velocidade final. O que é seguro, dado o tamanho dessas jamantas, é até melhor que não se movam tão rápido.


Hoje em dia quanto mais originais, as F1000 são mais valorizadas, cabine simples sem nenhum adereço exagerado é o que casa bem com o status de clássico, independente do ano/modelo. Vale uma pequena menção aos F4000, caminhão leve que possui a mesma frente das F1000 e que depois da F250 continuou como uma nova geração. Se dirigir uma caminhonete dessas já é divertido, imagine na versão caminhão, é muito mais, e eu já tive essa chance.

Atenção ao estado dos prospectos, como sua essência era de veículos de trabalho, a grande maioria foi usada assim e depois trocada por um modelo mais novo, nunca foram alvo de cuidados excessivos. Mas há possibilidade de encontrar modelos que valem o investimento de cerca de R$ 30 mil reais, que é a média do mercado. Infelizmente, tratam-se de veículos que exigem uma manutenção de alto custo, por um valor de carro seminovo. Fora a exigência de um amplo espaço na garagem. Mas vale a admiração.


Clássica em qualquer ano, uma Tropical 1994, simples 1980 e 1998. Aquele abraço!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Guia dos Sonhos - Porsche

Uma das marcas de maior relevância do mundo dos esportivos e também do mundo automotivo em geral, responsável por grandes inovações ao longo da história, possui laços com um dos grandes ditadores do século XX e também uma proximidade muito além do que se imagina com a maior empresa do ramo automotivo da Europa. Embora tenha inúmeros modelos em seu portfólio, há um modelo em questão que é a identidade da empresa. Um pouco sobre a Porsche.


No início dos anos 1930, o ditador alemão Adolf Hitler estava em busca de um projeto que depois ficaria conhecido como Carro do Povo, o objetivo era criar um automóvel simples e extremamente versátil à ponto de servir aos seus exércitos e também como forma de motorizar o povo alemão. Foi assim que Ferdinand Porsche tornou-se conhecido, por ser o pai do Fusca. Poucos anos depois, usando a base de seu projeto e seus conhecimentos, fundou a Porsche e começou a produzir seus automóveis.

O primeiro modelo de destaque da sua fábrica foi o Porsche 356 de 1948. Assim como outras marcas de esportivos, a Porsche sempre teve uma proximidade muito grande com o mundo das corridas, tanto que alguns dos seus modelos tiveram uma curta produção de carros de rua apenas para homologa-los a correr. Mas foi com o modelo lançado em 1964 que a Porsche conquistou, e o faz até hoje, a sua legião de fãs. O Porsche 911 é um ícone da indústria dos Carros Esporte.


Um automóvel que resiste ao tempo, ao longo de suas gerações (o 911 é produzido até hoje) sempre manteve-se fiel ao seu desenho básico. Agregando tecnologia, mas mantendo seu espírito. Uma das curiosidades mais emblemáticas está na refrigeração do motor. O 911 sempre foi um esportivo refrigerado à ar, tal qual sua criação inicial da Volks, e foi apenas em 1997 que o modelo passou a adotar motor refrigerado à água. Aliás, no tocante à sua proximidade com a Vw, em 1969 o Porsche 914 era um modelo esportivo médio, desenvolvido em conjunto pelas duas marcas.

Entre esses estreitos laços da Porsche com a Volkswagen, há um dos modelos de maior inovação da marca nos últimos tempos. No fim dos anos 1990 as duas juntas começaram a desenvolver uma plataforma SUV, talvez das primeiras atentas aos novos tempos, essa plataforma deu origem ao Touareg pela Volks e ao emblemático Cayenne. Hoje em dia a Porsche e a Volkswagen estão em fase adiantada de fusão, graças às proporções acionárias que uma empresa possui da outra.


Ainda referente às inovações, em 1997 a Porsche lançou seu roadster moderno, o Boxster, depois seguido pela versão cupê chamada Cayman. Em 2009 novamente causou polêmica ao lançar uma espécie de sedan esportivo ou cupê de quatro portas, apesar do desenho de gosto duvidoso, o Panamera é um símbolo de luxo e classe aliados ao estilo Porsche de ser. Há ainda o Macan, um SUV de porte menor do que o Cayenne, além das constantes evoluções do 911 e suas versões ainda mais nervosas como o GT3.

Atualmente o grupo que comanda Porsche-Vw é um dos gigantes do mundo automotivo, representando além dessas, marcas como Audi, Lamborghini, Buggatti, Bentley, fora as marcas de caminhões Scania e Man. De uma ideia simples, que gerou um dos carros mais simpáticos do mundo, até a superpotência que é hoje, foram muitas histórias de uma marca. Eu acredito que superesportivos não possuem comparação entre si, cada um possui sua personalidade e seus fãs.


Então vamos lá, para começar, nada melhor que o carro chefe da marca, um 911 de 1995 ainda refrigerado à água. Depois um 356 de 1960 e fechando com a Cayenne de 2010. Aquele abraço e até a próxima!