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terça-feira, 3 de abril de 2018

Guia do Usado - Bora e Jetta

No mundo todo, as mais diversas marcas automotivas batizam seus automóveis pelas mais diversas razões, e não raro um mesmo carro pode ter nomes diferentes conforme o país em que é vendido. Um caso clássico é do Fusca, que só oficializou este nome no Brasil no meio dos anos 1980, e nos Estados Unidos sempre se chamou Beetle (de besouro). Pois bem, o carro de hoje é um caso desses, com uma curiosidade a mais, ele foi vendido no Brasil em duas gerações e com dois nomes ao mesmo tempo. Eles são Bora e Jetta.


A história deste sedan, que para muitos pode ser interpretado como uma versão 3 volumes do famoso Golf, começou em 1979 no México. Projetado para o mercado americano, cumpriu o seu dever e faz um relativo sucesso por lá até hoje. Muitos devem se lembrar do filme Velozes e Furiosos em que um dos automóveis da gangue de Toretto era justamente um Jetta da mesma geração do Golf IV, todo personalizado.

No Brasil ele desembarcou em 2001 como Bora, um sedan médio que veio para disputar com o Vectra e os já sucessos Civic e Corolla, em um mercado em que o Santana já não conseguia mais sobreviver em vendas e o Passat queria se destacar como um algo a mais. Com este nome ele ainda foi reestilizado em 2008 e seguiu firme até 2011, mesmo convivendo com o irmão mais novo desde 2006 no nosso mercado. Como eram gerações diferentes, foi justificável a presença de ambos, ainda mais quando o Santana disse adeus no mesmo ano de 2006.


E assim chegou o Jetta, antes mesmo de sua versão equivalente do Golf (se bem analisado a Vw fez uma grande bagunça naquele período), motor 2.5 aspirado, com um visual jovem e agressivo, o novo sedan apelava para a esportividade, ainda que no tamanho e sofisticação não pudesse ser considerado um rival do tradicional Corolla. E o golpe que a Vw sofreu na época foi o lançamento do New Civic, que abocanhou o mercado pelos anos seguintes.

Eis que em 2011, quando chegou a nova versão do Jetta, com motor 2.0 turbo herdado do Passat, a visão do sedan começou a mudar de novo. Dessa vez maior e mais sóbrio, começou aos poucos a garantir um espaço (pequeno, mas seguro) no mercado nacional. Importante destacar, ainda da versão anterior, o modelo Variant, sobrenome tradicional das peruas da Vw, encontrar uma entre 2006 e 2010 pode ser um exercício de paciência, mas que acaba valendo muito a pena.


Hoje em dia apresentado até em uma versão 1.4 turbo, o Jetta é um dos carros-chefe da Vw Brasil para um público de maior poder aquisitivo. Enquanto isso o Bora acabou se confirmando no mercado de usados como aquele importado que inspira admiração e cautela, pois quem os teve quando novos eram pessoas que tradicionalmente não tem tanto cuidado com manutenção e costumam forçar um pouco o pedal do acelerador, tal qual Golf dos anos 2000.

E assim chegamos ao ponto crucial, quanto custa um carro desses? De uma forma geral um Bora pode ser encontrado a partir de R$ 15 mil reais em versão manual e ano 2000/2001. No caso do Jetta, a primeira versão aqui no Brasil parte de R$ 30 mil (2006/2007) e os novos, a partir de 2011, começam em R$ 45 mil. São carros de um nível mais sofisticado, que possuem um status embarcado. Na minha opinião só pecam pelo preço, pois são extremamente prazerosos.


Sei que mal falei dela, mas o ensaio começa com ela mesmo, a Variant 2006. Seguida pelo Bora de 2002 na clássica cor verde e fechando com o Jetta 2012, muito parecido com o atual. Aquele abraço!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Guia do Antigo - Brasilia

É incrível como a história de certos modelos pode ser tão cativante, misturada aos acontecimentos daquele momento de um país, refletindo tantas decisões de grandes empresas e o próprio costume dos consumidores. Ao relatar sobre um automóvel, nós conseguimos entender quem éramos naquele tempo, como pensávamos, ou ainda como viveram nossos pais ou avós. Com o Volkswagen Brasilia, a matriz brasileira criou uma autêntica evolução do Fusca, não o suficiente para decretar o fim de sua era, mas sim para conviver e fazer história junto dele.


Um dos primeiros automóveis da Vw projetado fora da Alemanha, a Brasilia nasceu em 1973 (lançada cerca de três meses após o Chevette), com a nada fácil missão de substituir o Fusca. Isso ela não conseguiu fazer (a Vw só conseguiu isso com o Gol, e mesmo assim após 1987), mas a Brasilia foi um grande sucesso de vendas no país, chegando a emplacar quase 160 mil carros no ano de 1978, no auge da sua história. Saiu de cena em 1982, quando os esforços da marca estavam todos na família Gol (Voyage, Parati e Saveiro).

Um hatchback moderno, com a consagrada mecânica 1600 a ar do pequeno besouro, teve como maior inspiração a perua Variant. Teve apenas um retoque estético em 1976, no mais foi sempre o mesmo carro simpático de quatro faróis redondos na frente baixa. Quando criança andei muito em uma Brasilia vermelha que pertencia a um tio meu, talvez por isso eu guarde um grande carinho por este automóvel que, embora seja raro de ver hoje em dia, é um dos grandes clássicos da história dos Air Cooler.


A Brasilia era feita no Brasil e exportada para diversos países do mundo, inclusive com uma versão 4 portas (oferecida localmente em 1979). Naquele tempo, e essas são as curiosidades do mundo automotivo, o brasileiro não gostava de carros 4 portas, um costume que só mudou mesmo na metade dos anos 1990. Até então o que você via eram grandes carros só com 2 portas, como os casos clássicos de Santana e a Royale da Ford, uma perua grande, familiar, em que nada poderia fazer tanto sentido como portas traseiras.

Outra grande história envolvendo o modelo, tem relação com uma grande concessionária paulista que fez fama transformando carros nos anos 1970 e 1980. A Dacon é conhecida por diversas mudanças que promovia nos carros que vendia, com o intuito de torna-los exclusivos, num mercado limitado como era o Brasil sem importação oficial. E a lenda que eles criaram com a Brasilia foi a adaptação de um motor 1800 refrigerado à ar, que vinha do Porsche 912. Sim, Brasilia com motor de Porsche, você vê por aqui.


Nos dias atuais o modelo vêm ressurgindo das cinzas e se firmando como um grande clássico dos anos 1970, infelizmente a década de 1990 e os primeiros anos desse século foram ruins para a Brasilia, era comum vê-las maltratadas e caindo aos pedaços pelas ruas. No entanto, quem quisesse uma era extremamente barata em estados encaráveis. Como carro velho virou uma cultura, ainda mais em Curitiba, é bom tomar cuidado pra não comprar carro "impecável" que no fundo precisa de uma restauração completa.

Se falarmos em preço, hoje em dia um bom carro, alvo de uma boa procura, vai sair em torno de R$ 10 mil. Pode parecer caro, mas trata-se de um carro em ritmo de valorização bem acentuado, não é raro encontrar modelos acima de R$ 15 mil. Se a estrutura geral estiver boa e a mecânica bem regulada, você terá apenas prazer em dirigir. É difícil explicar, mas a sensação é realmente boa, diferente dos carrinhos de hoje em dia que são todos iguais.


Por hoje é só, aquele abraço!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Guia do Antigo - Santana

Talvez tenha sido um dos sedans de médio/grande porte que figurou por mais tempo nos catálogos das concessionárias nacionais. Mais uma vez trata-se de um carro que eu não tive, mas a sua história é bem relevante para o mercado brasileiro e merece destaque. Desde as versões CG de 1984 até suas últimas unidades em 2006 seu símbolo era o motor forte aliado à confiabilidade da marca VW, embora sofisticação não fosse o seu forte. Santana, Quantum, e aqui também falaremos sobre o quanto a história do Passat tem a ver com isso tudo.


No Brasil o Santana foi apresentado em 1984, e já vamos às curiosidades, na Alemanha esse mesmo carro é uma geração do Passat. Ou seja, se a Volks tivesse seguido a mesma linha da matriz nós teríamos somente o Passat de 1974 até hoje. No entanto, o nacional ganhou um tapa no visual e a Volks resolveu lançar o alemão como Santana. Com duas ou quatro portas e mal de acessórios, eu particularmente passo a gostar dele em 1987 com a adoção de para-choques mais envolventes e visual mais robusto. Destaque para o raro Sport de 1989.

O quadrado deu lugar ao redondo em 1991, com um desenho totalmente novo, bem inovador para a época, para encarar o novo Monza tubarão. Nos anos 1990 aí sim as versões Exclusiv com motor 2000cc eram considerados carros luxuosos e com ótimo padrão. Mas eis que a Volks resolve trazer o Passat (extinto em 1989) de volta ao Brasil. Em 1994/1995 uma nova geração do carro chefe da marca desembarca trazendo muito mais luxo e sofisticação que nossa versão Santana.


O Alemão segue a vida até hoje como o sedan Top de Linha da marca, enquanto que o Santana virou automóvel de frotista, taxista, sedan meio termo, mas não por isso perdeu seu encanto. Sua última atualização foi em 1999 com alguns contornos modernizados que o levaram até 2006. No mercado ele têm três tipos de selo, desde o clássico quadrado, passando pelos ótimos sedan da década de 1990 até as apostas em conforto a baixo custo e dificuldade de revenda dos últimos modelos.

O motor foi basicamente o mesmo, apenas passando pela atualização para injeção eletrônica, disponível em 1.8 e 2.0 litro. Atenção ao nível de equipamentos, existem carros sem os opcionais necessários para um sedan de classe e estes devem ser evitados. Um carro desse nível precisa ter ar, direção, vidros e travas de fábrica. Duas portas vai bem só nos quadrados, se optar pelos pós-1991 escolha com quatro. É um carro e tanto para quem aprecia potencia e conforto.


Falando um pouco da perua, a Quantum é a versão wagon do Santana, muito bem vista no mercado em sua versão quadrada, lembra muito as clássicas peruas americanas dos filmes de sessão da tarde, são bem valorizadas. As posteriores são muito usadas como carro de trabalho, então são difíceis de achar em bom estado. As mais novas são quase micos, pois venderam pouco, mas mantém o mesmo nível de conforto do sedan para quem não se preocupa com modinha.

Por fim, os valores praticados para um automóvel desse variam de 8 a 10 mil nas versões de 1984 a 1998, por esse valor se encontram carros em ótimo estado. Já os mais novos, pela tecnologia embarcada, podem chegar aos 15 mil. Não vale a pena pagar mais do que isso por um Santana. O Passat de 1974 a 1977 não tem valor certo pela dificuldade de se encontrar (estimo uns 12 mil numa joia rara), os 1978 a 1989 são encontrados na casa dos 6 mil. Os Santana (e o Passat também) são carrões em todos os sentidos, fique atento e boas compras!


Grande abraço!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Guia do Antigo - Fusca

A lista dos automóveis de maior relevância na indústria, e na história da humanidade, não estaria completa se não incluísse o simpático e emblemático Fusca! É com certeza um dos veículos mais conhecidos do mundo, um símbolo de gerações e uma figurinha fácil de ser vista rodando até os dias de hoje. Sua história começou nos anos 1930 quando o homem que depois fundou a Porsche o projetou a pedido do ditador Adolf Hitler. No Brasil o Fusca desembarcou no início dos anos 1950 e foi comercializado ininterruptamente até 1986 e depois ressurgiu entre 1993 e 1996.


Hoje é possível comprar sua versão recriada, moderna (e cara), que virou um automóvel das categorias de luxo. Apenas uma forma de manter viva a sua história. Mas o texto de hoje se dedica ao bom e velho Fusquinha que está por aí, nas ruas e garagens de muita gente e que pode ser o primeiro passo para aqueles que gostam da cultura de um carro antigo. Os Fuscas podem ser divididos em diversos tipos de projetos. Desde o totalmente original, passando pelo carro com modificações leves para uso diário, até o totalmente equipado com acessórios e mecânica modernos.

Eu tive um Fusca 1974 e um 1981. O primeiro seguia a linha mais original, porém com algumas alterações na parte mecânica buscando melhorar o dia a dia com ele, tais como ignição eletrônica, alternador, filtro de ar seco e elevação da cilindrada de 1300 para 1500. Além de alguns detalhes estéticos como as rodas com calotas originais que foram alargadas para abrigar os belos pneus 205/50, mais largos que garantiam um visual mais agressivo. Completavam o visual a pintura laranja, os piscas e lanternas fumê e o adesivo VW personalizando o vidro traseiro.


O 1981 seguia uma linha muito parecida, mecanicamente ele era o 1300 original ainda equipado com dínamo para carregar a bateria, nesse caso era preciso manter a rotação mais alta para garantir que o pouco rodado já fosse suficiente para carregar o que o som gastava. As rodas eram de liga leve, ao estilo da época, aro 15, e os pneus 185/60. A pintura cinza dava um tom discreto, que o fazia passar quase despercebido, mas ainda assim quem gostava de Fusca sempre exibia o sorriso típico ao vê-lo passar.

Não há segredo nenhum em manter um Fusca. Lógico que eu não diria que é um carro que se pode ter como único automóvel da casa, pois eles simplesmente tem personalidade própria. Podem apresentar defeito a qualquer momento e sem avisar. O diferencial é que tudo num Fusca é simples de consertar. É o típico carro que se faz ao gosto do dono. Você pode usa-lo todos os dias para ir ao trabalho (como eu fazia com o cinza) ou apenas para passeios esporádicos. Dirigir um Fusca é uma experiência diferente, não é como dirigir um carro normal, Fusca é Fusca!


No mercado ele sempre terá seu lugar cativo, tanto para quem vende como para quem compra. Você não será valorizado por alguém que procura um carro "normal", mas certamente ele será mais valorizado do que muitos carros mais novos. Depende do estado de conservação e da forma como se negocia. Um veículo rodando, mas que não esteja impecável, pode custar de 5 a 7 mil reais. Há modelos mais baratos mas eu não aconselho, pois podem ter problemas de estrutura ou de motor cujos gastos não valerão a pena.

Carros em estado excepcional não tem um valor exato. Podem custar de 10 a 30 mil reais, dependendo do nível do carro, do ano, e principalmente, da necessidade do dono em vender o carro. Se você estiver no lugar certo e na hora certa pode comprar um carro por um valor extremamente interessante. Mas no caso do Fusca, como há muitos (muitos mesmo) disponíveis, a pesquisa e dedicação de um tempo para testar mais de um é fundamental. Cada carro é um carro, pois praticamente tudo pode ter sido alterado e você precisa conhecer o que irá comprar.


É o primeiro que me atrevo a colocar como Antigo no nome do guia. Espero que possa ser mais um artigo de leitura para fãs de carro e fãs do Fusca!

E sobre o vídeo, com um vocal que lembra muito os Bee Gees, pelos menos essa música, Eagles é uma das maiores bandas dos anos 1970! Aquele abraço!!!