terça-feira, 31 de maio de 2016

Guia do Usado - Honda Civic

Sonho de consumo de adolescentes à pais de família, os sedans médios são dos modelos mais cobiçados no mundo dos automóveis. Seja pelo porte de carro grande, seja pelo status embarcado, a categoria coleciona muitos admiradores e cada marca briga com o que tem de melhor pelo seu lugar ao sol. O modelo de hoje (e possivelmente o da próxima semana) é um carro muito famoso que costuma estar sempre entre os líderes desse segmento. Ele é o japonês Honda Civic.


Sua primeira aparição no Brasil foi entre 1992 e 1993, na época importado do Japão, era parte de uma linhagem de automóveis que tentava buscar algum espaço no mercado brasileiro recém aberto. Frente baixa, design invocado e manutenção absurdamente cara eram suas características. Eis que em 1997/1998 a Honda decidiu por bem nacionalizar o seu produto mais rentável, já em sua nova geração, um automóvel que cumpria o que prometia, mas não fazia frente ao Vectra, o preferido na época.

Foi assim até 2000 e ainda continuou assim entre 2001 e 2006 com o modelo reestilizado, que deu ganhou pitada de requinte, atraiu novos consumidores, mas ainda assim não tinha tanto apelo. Sua vida ficou ainda mais difícil em 2003 quando a Toyota lançou o Corolla que mudou o mundo. A conterrânea acertou a mão naquele modelo, que mudou o mercado e deu um novo padrão à categoria. Tanto que o Vectra também sentiu o golpe e começou a ter concorrentes de verdade.


A vida do Civic mudou da água para o vinho em 2007, quando foi a vez da Honda revolucionar o mercado. O New Civic abocanhou tudo que via pela frente, desde os tradicionais compradores de sedans até aqueles que nunca pensaram em ter um. Tanto que o porta-malas com tamanho de hatch nunca foi um problema para o modelo, que era o preferido por executivos e outros engravatados que costumam dirigir esse tipo de carro. Um carro grande com design futurista ao qual era impossível ser indiferente.

Com exceção dos modelos de 1992 a 1996, que já passaram por muitas mãos e se desvalorizaram demais, qualquer Civic no mercado pode ser um bom negócio. Quanto mais novo, menor precisa ser a preocupação com manutenção. Carros japoneses possuem os melhores motores do mundo no quesito durabilidade, sendo extremamente confiáveis e raramente apresentando problemas. Lógico que uma boa revisão de compra é fundamental, mas quando não há nenhum problema eminente é difícil ter surpresas desagradáveis.


Como são muitos anos e modelos bem diferentes no mercado, o mesmo se divide em públicos bem distintos. Enquanto os sedans de 1997 a 2006 são procurados por pessoas de poder aquisitivo mais limitado, mas que ainda assim possuem um gosto mais apurado por requinte, os modelos acima de 2007, mesmo com quase 10 anos nas costas, disputam vaga na garagem de pessoas que tem recursos para comprar um carro zero km, mas que acabam refletindo melhor e apostando no status diferenciado que esse carro oferece.

Começando pelos mais novos, os da linha New Civic não são encontrados por menos de 30 mil reais, na faixa dos 35 a 37 mil se encontram bons modelos com manutenção em dia e em ótimo estado. Já para os pré-2006 os preços costumam parar na casa dos 25 mil, com uma boa dose de sorte da pra encontrar um 2003 perto de 20 mil. Atenção aos baratos demais, mas pelos primeiros nacionais da pra pagar entre 14 e 15 mil por um bom carro. Eu só não recomendo mesmo os importados, anteriores à 1996 possuem mercado muito restrito e manutenção cara.


No ensaio, modelos 2007, 2002 e 1998. No vídeo, a clássica Steppenwolf. Aquele abraço!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Guia do Usado - Fiat Tipo / Tempra

Falar desses carros hoje em dia pode soar engraçado, mas depois que o guia do Pointer e Logus deu resultado eu já não duvido de mais nada. A Fiat sempre soube fazer populares, mesmo que o 147 não seja considerado nenhum Fusca, suas vendas foram bem expressivas e com o lançamento do Uno e depois do Palio a marca se consolidou nessa área. Mas quando a categoria subia acho que até hoje a empresa italiana ainda sofre. Hoje falo de dois ícones dos anos 1990, que mesmo não sendo clássicos, marcaram época. Tempra e Tipo.


Em 1992 a Fiat apresentou um sedan médio para brigar com Santana e Monza e em 1993 foi a vez do hatch médio. Como passou a ser comum naquele tempo, os carros da marca vinham recheados de tecnologia e conforto para bater de frente com os modelos já consolidados. Tanto o Tempra quanto o Tipo chamaram muita atenção pelo nível de requinte e prometiam ser automóveis superiores ao que havia no mercado. No entanto, a instabilidade nas categorias superiores pode ser considerada um carma até hoje.

Não passou muito tempo os carros começaram a apresentar manutenção frequente e cara, fora o escândalo dos Tipo que pegavam fogo sozinhos devido a um defeito no posicionamento de uma mangueira de combustível que passava muito próximo do sistema de exaustão do carro. Hoje em dia o que eu digo é que se o Tipo ainda não pegou fogo é porque não veio com aquele defeito e o Tempra se ainda está andando dá pra encarar.


Mas o grande fator não está nos problemas de fábrica, isso muitos carros bons têm, a questão é que uma vez manchada a reputação de um carro no mercado é muito difícil resolver. Esses modelos sofrem com grande preconceito entre os usados, tanto que um carro com ótimo motor e completo de acessórios pode custar menos e ser bem mais difícil de vender do que um Gol ou Corsa pelados. Comprar um é trabalho de muita procura, paciência e avaliação. Mas garanto que prazer ao dirigir não faltará.

O Tipo é um hatch invocado, anda muito bem, e roda macio. Já o Tempra é um sedan espaçoso e muito confortável, que também conta com um motor forte. A vantagem aqui está em ser diferente, uma vez que um carro desses em bom estado chama mais atenção do que um Santana ou Kadett. E convenhamos, hoje em dia não há carro liquido no mercado, até mesmo o Gol não vai vender de uma hora pra outra se você não baixar o preço.


Se eu compraria? Existem alguns modelos tão bem cuidados por aí que eu compraria com certeza. O problema é que alguns donos acham que esses carros são clássicos, então pedem valores irreais. Um Tempra não pode nem chegar perto do preço de um Ômega, pois vale lembrar que assim como Brava e Marea, a manutenção desses carros é mais cara e eles sempre darão algum tipo de problema. Não dá pra comprar um como único carro. Mesmo que seja lindo, se você procura um carro para ser seu único carro compre um Uno e seja feliz.

10 mil reais é muito para um carro desse? Normalmente eu diria que sim, mas nesse caso vou defender como preço máximo para um modelo impecável quase em estado de novo. Se você achar essa jóia por até esse preço e não se importar em comprar um carro sem pressa de vender, esse é um bom negócio. Carro velho precisa de dono que não negligencie manutenção. Tudo que acontecer precisa ser reparado e é preciso estar atento. Uma boa revisão de compra e um olhar carinhoso fazem desses carros ótimos parceiros para bons momentos ao volante.


Aquele abraço!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Guia do Usado - Renault Megane

Até a metade dos anos 1990, para as pessoas comuns, automóvel era só Fiat, Ford, Volks ou Chevrolet. Deixando de lado os importados de destaque, como Mercedes e BMW, normalmente os carros vindos de fora não agradavam. O que dizer dos Renault 19, Peugeot 205 e 306 e do Citroen ZX, isso só para falar dos franceses, não são carros muito bons. Houve um Renault no entanto, uma família, que conseguiu dar um start na mudança de percepção do consumidor, esse carro era o Renault Megane.


Lançado no Brasil em 1998 nas versões hatch e sedan e ainda com a opção minivan Scenic, foram automóveis que obtiveram certo nível de sucesso e se destacavam pelo nível de equipamentos e conforto aliados a uma manutenção dentro dos limites da realidade. Não que outros importados não fossem bons, mas quando era bons carros a manutenção era cara demais. O destaque da primeira versão entre 1998 e 2000 era a grade formada por um vinco que se estendia do capô.

Em 2001 foi lançada uma versão com um visual um pouco mais conservador, que continuou tendo um bom comportamento no mercado, mas o destaque dessa nova leva foi a Scenic, que ganhou vida própria e passou a levar as vendas nas costas e se manteve quase inalterada até 2011. No caso do Megane, ambos até podem ser encontrados na versão antiga até 2006, porém é raro. O boom daquele modelo foi entre 2001 e 2003.


O renascimento do Megane se deu em 2007 quando a nova geração foi apresentada por aqui. Um carro totalmente novo, famoso pela chave em formato de cartão, que teve um novo momento de destaque no mercado, aí concorrendo já com o novo Vectra, Corolla e quem sabe até com o New Civic. Mas o grande destaque da linha era mesmo a excelente perua Grand Tour. Depois da saída da Fielder ela reinou absoluta no mercado de perua médias, sua saída deixou muito mais saudades que o sedan, que foi substituído pelo Fluence.

Mas enfim, o primeiro Megane (1998 a 2006) hoje é um carro barato e competente se encontrado em bom estado. É um carro completo, motor potente, que corresponde bem às expectativas de quem não quer somente um popular mas que não tem dinheiro nem para comprar esse popular. Basta ter atenção ao estado geral, e aqui vale a dica geral dos importados, não confie apenas no que você vê. Esse tipo de carro tem que passar por um mecânico para avaliação.


Já a versão de 2006 em diante é um carro com apelo um pouco diferente, já é um bom sedan para quem quer mais classe a uma preço justo. Valor de manutenção em linha com o que há no mercado, como qualquer carro mais sofisticado, gasta mais do que um Uno ou Gol, é normal. A perua tem uma aceitação incrível no mercado de usados, tanto que custa mais que o sedan em quase todas as ocasiões. São carros grandes, confortáveis, espaçosos e que esbanjam um nível de status a um valor muito convidativo.

Um carro, dois mercados, assim é mais fácil definir a vida do Megane entre os usados. Enquanto se acha 1998 2.0 por 7 mil, 2003 por 12 mil, um bom carro nas versões acima de 2007 não custam menos de 18 mil. Chegando a mais de 30 mil ainda nas peruas 2010. O truque com a Renault é não cair nas versões básicas. O que diferenciam desses carros está nos equipamentos, é o que os torna bons. Então vá nas versões Dynamic ou Privilege. Versões Expression só se tiverem ar condicionado. Ta aí um carro que vale a pena.


Aquele abraço!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Guia do Usado - Gol Bolinha + G3/G4

O texto de hoje é um complemento a esta família tão popular no mercado de usados. Já falei sobre os quadrados (de 1981 a 1995), já falei sobre a perua, e hoje é o dia de falar um pouco sobre a geração de 1995 a 2013 do carro mais vendido da história da indústria nacional. Tive um bom contato com a versão Bolinha e tive muitos amigos e familiares que tiveram os G3 e G4. Alguns pontos positivos e negativos devem ser citados e exaltados. É o Gol mesmo.


Já tenho que começar dizendo o que toda revista de carro diz, o Gol está hoje na realidade em sua 3ª geração. Sendo a primeira a quadrada, a segunda dos bola até o G4 e a terceira o Novo Gol de 2009 em diante. Explica-se isso o fato de que geração se conhece pela mudança de plataforma, o que só aconteceu nos momentos citados, os demais tratam-se de reestilizações. Portanto, o texto que segue fala sobre a 2ª geração do Gol.

Lançado com um verdadeiro estardalhaço no mercado em 1994, o Gol bolinha veio para brigar com a novidade da GM na época, um tal de Corsa. Continuou no mesmo ritmo de mercado que já tinha antes, ou seja, campeão de vendas. Nem o Palio, lançado em 1996 chegou a intimida-lo. Em 1999 o lançamento do (nome comercial) G3 deu outra virada na sua carreira. Naquela época, além de ser um carro barato e popular, suas versões mais potentes brigavam com categorias superiores. Reestilizado novamente em 2006, essa plataforma deu adeus em 2013.


O Gol perdeu o posto de mais vendido (no ano) em 2014 para o Palio, mas a questão é que o Palio somava vendas da versão Fire com as versões mais caras, coisa que o Gol deixou de fazer em 2013. Vê-se que era só um jogo de palavras, tanto que em 2015 o Onix já assumia o trono. A era do Gol para frotas chegou ao fim e seu apelo de vendas também, ainda mais depois do lançamento do UP como carro mais barato da marca e cheio de pequenas tecnologias.

Mas voltando a questão do usado. O Gol sempre será um carro bom de mercado, tanto que hoje ele é o campeão de vendas entre os "não-novos". Mesmo que seja uma versão pelada, as pessoas prestarão atenção pois ele tem boa fama. Manutenção barata, robustez e confiabilidade são conhecidas dos brasileiros há mais de 30 anos. Os únicos cuidados que eu recomendo fortemente é manter sempre um padrão de revisão mecânica.


Os motores 1.0 16v, na minha opinião, não prestam. Alguns podem até defender, mas eu mexo muito com mercado de usados, e por experiência digo que esses motores não são bons. Já os 1.0 8v e qualquer outra cilindrada, principalmente nos motores AP, pode ir com fé! Eu sempre digo que o Gol não é um carro que não dá manutenção, ele até visita bastante a oficina depois de certa km nas costas, mas é tudo muito simples e barato.

Já faz tempo que eu digo que o mercado mudou, que ninguém mais quer carro básico e que ar e direção já deixaram de ser luxo. No caso do Gol, é difícil achar bons acessórios nos bolinha, salvo nas versões GLS e GTi, mas aí é difícil achar o carro inteiro. Você achará Gol em boas condições a partir de 7 mil reais (1995 a 2005 special), cerca de 10 mil nos 1999 a 2005 e os 2006 encontram-se partindo de 15 mil. Pense sempre em quatro portas e pesquise que dá pra achar Gol completo.


Respeitando cada padrão, a galeria traz três versões especiais para fãs do pequeno Vw. O Gol GTi 1995 (sim, aquele com o calombo no capô), o 1.0 Turbo de 112cv e o 1.6 Rallye (Top de Linha dessa última leva). E no vídeo, uma da nova fase de Slash, a lenda incansável!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Guia do Usado - GM Vectra

Aí vai um carro que eu tenho certeza que tem muitos admiradores. Eleito por diversas vezes como um dos carros mais emblemáticos dos anos 1990/2000, ocupava lugar nas garagens dos empresários e figurões da época. Reinou soberano diante de seus primeiros concorrentes e sua versão Collection de 2005 costuma ser mais cara que os 2006/2007 da geração posterior. Potência bruta, design arrojado, conforto e acessórios do que havia de melhor na época. O Chevrolet Vectra foi, e ainda é, sonho de muita gente!


Lançado no Brasil, vindo da Europa, nos idos de 1992/93, o destaque da primeira geração do Vectra é a versão GSi. Naquele tempo seu desenho era muito próximo ao do Astra que passou por aqui entre 1995 e 1998. Eu diria que o Vectra já chamava atenção, mas aquela geração perdia para o Monza em beleza exterior. Foi em 1997 que chegou o carro que viraria o mercado. Disponível desde os pobres GL até os top CD, alí que o sedan caiu no gosto do público de verdade.

O desenho clássico do Vectra vai de 1997 até 2005, com uma reestilização que o tornou mais contemporâneo e agressivo em 2000. Os motores dessa geração eram os clássicos 2.0 e 2.2, ambos eram originados dos 1.8 dos anos 1980 que a GM lançou com os Monza. Aliás, até o 2.4 da geração de 2006 e acima era proveniente daqueles. Algumas versões merecem destaque. O CD 1998 era um deles. Na versão com motor 2.2, os mais completos vinham com banco de couro e teto solar elétrico, além do painel digital. Era uma verdadeira nave.


Nas versões pós-2000 dá pra destacar os Challenge e Millenium, esses modelos são muito respeitados entre os sedan ainda hoje em dia, mesmo com mais de 10 anos nas costas. E claro, a versão Collection, a que aposentou a carroceria clássica, datada de 2005. Essa última versão é tão rara que numa busca pelos anúncios da internet, se você encontrar dois ou três na sua cidade vai ser muito. Lógico, depois disso ainda veio a última geração, que para os puristas não vale tanto assim, pois era na verdade a nacionalização do Astra europeu. Mas era um ótimo carro, com certeza.

Mas deve ser caro manter um Vectra, você se pergunta. Bom, se formos comparar com a manutenção de um Corsa, Uno, ou qualquer outro popular é claro que há uma diferença. Mas para andar com tal classe é necessário investimento. Aqui a grande questão é que vale a pena investir mais na hora da compra, por um carro que esteja realmente bom, do que arriscar levar um "preço de ocasião", porque motor Chevrolet quando começa a dar problema tem que preparar o bolso.


Eu o conduzi em uma ocasião apenas, era justamente o tal CD 1998. Foi na CCV próxima do ginásio do tarumã. Um rápido teste drive, disfarçando que eu teria alguma condição de trocar meu velho Chevette por uma maquina daquelas. Foi o suficiente para saber que aquele modelo era fantástico. Da pra dizer que a sensação de dirigir, aquele prazer que se sente ao volante, é um pouco parecida com a do Monza (seu antecessor oficial). Mas o Vectra guarda um quê a mais que o ícone dos anos 1980.

Esses guias são curtos e objetivos, são mais como uma opinião do dono (ou nesses casos, do fã) que servem para colocar a pulga atrás da orelha de quem tem vontade de comprar uma das joias descritas. E falando em comprar, vamos aos preços. Primeira geração, até 10 mil reais por um modelo impecável. Segunda (1997 a 1999) até 13 mil se acha um muito bom com km coerente com seu ano. De 2000 a 2004 já saltam pra mais de 15 mil, alguns quase 20. E a clássica versão 2005 pode preparar uns 25 mil. Na geração pós 2006 os carros ainda custam mais de 25 mil, pois já são quase seminovos já que estamos falando de uma categoria superior.


Para os mais atentos, as imagens em ordem são do CD 1998, Collection 2005 e Elite 2008. E no vídeo, o mestre do Blues, o lendário BB King! Aquele abraço!

terça-feira, 12 de abril de 2016

Guia do Antigo - Toyota Bandeirante

Admito que com essa eu estou apelando para um carro bem incomum, mas eu gosto de falar daqueles modelos que eu conheço pelo menos alguma coisa. Não sei nem se da pra chamar de carro. As versões fechadas são Jipe (Jipe de verdade, não SUV) e as versões com carroceria tem mais semelhanças com caminhão do que qualquer outra coisa. Eu tive a oportunidade de dirigir uma raridade de 1964 e uma de 1980, ambas pertenciam a um primo meu, grande fã do modelo. Ele é o Toyota Bandeirante.


Fabricado no Brasil entre 1962 e 2001, praticamente sem grandes alterações no seu desenho, o Bandeirante é irmão do japonês Land Cruiser. Ele possui uma legião de fãs tanto no universo aventureiro dos 4x4 como entre aqueles que os usam para o trabalho. Disponível nas versões com chassi curto e longo, carroceria fechada, cabine simples, cabine dupla e caçamba de metal ou madeira. A robustez e confiança da marca só tem a avalizar seus admiradores.

Os motores à Diesel são os mesmos usados nos caminhões 608 da Mercedes-Benz, o que deixa bem claro seu parentesco com a categoria dos brutos. Não posso opinar muito sobre a manutenção, mas garanto que não é nada em níveis monetários absurdos. Só sei que são motores que precisam de profissionais bem capacitados, não é qualquer mecânico que consegue um bom acerto neles. Aprendi isso com as Kombi à Diesel. Não é um carro que tem potência de velocidade final, mas sobem até montanha.


Minha experiência com o Azul 1964 foi justamente em um trecho de estrada de terra próximo a cidade de Rio Branco do Sul, nos entornos de Curitiba. Ladeiras de terra com aquelas valas no meio da pista não são nada para a capacidade desses carros de passar por cima de quase tudo. Já com a marrom de 1980 foi um trecho urbano de poucas quadras, aquele ronco de caminhão deixa bem claro que você não está dirigindo um carro normal. Eu não sei o termo técnico, mas a embreagem necessita de várias pisadas para conseguir trocar de marcha, coisa que descobri a muito custo.

Força. Essa palavra descreve bem esse modelo, que foi muito utilizado em frotas de empresas nos anos 1980 e 1990, que só depois acabaram adotando Ranger, L200 e Hilux cabine duplas. No final dos anos 1990 ele já não fazia tanto sentido, visto que o mercado já queria algo mais confortável e com contornos mais modernos, mas houve um tempo que ele não sabia o que eram concorrentes. Hoje em dia vemos algumas unidades bem surradas, típicas de quem trabalha muito, e algumas versões fechadas com adaptações extremas para o uso fora de estrada.


Não é um veículo tão comum no mundo dos antigos, mas com certeza uma versão bem cuidada chama muita atenção. Entre as versões Jipe da pra encontrar até umas com teto de lona famosas no meio Off Road. Meu estilo é mais de observar e aguardar os carros virem até mim, e se aparecer em desses, olharei com bastante atenção. No geral todos os carros do Guia de Antigos não são 100% eficientes como único carro da família, mas são diversão garantida como opção adicional na garagem!

Para fechar, é claro, temos que falar um pouco do mercado. Como todo carro de nicho, a negociação nem sempre é simples ou rápida, mas o comprador certo sempre pode estar atrás do seu anúncio. Eu já vi unidades de caçamba de madeira, as menos valorizadas, na casa de 15 mil reais. Enquanto que um Jipe bem cuidado acima de 1990 pode chegar a mais de 50 mil! Lógico que o estado de conservação é o que irá determinar, mas pela dificuldade em acha-los, até carros não tão impecáveis devem ser levados em conta.


Aqui cabe um comentário extra. A banda de hoje era uma total desconhecida para mim até uma semana atrás. Achei muito boa e aqui está! Styx!

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Guia do Usado - Volvo 850

Ele pertence a onda de veículos que chegou ao Brasil, com a liberação das importações, no início dos anos 1990 e originalmente foi comprado por alguém com muito dinheiro. Ano passado eu tive a chance de fazer uma avaliação nesse carro, que de currículo assusta até os top de linha mais novos. Mas atenção, esse é um modelo que exige muita cautela, na verdade eu arrisco dizer que hoje em dia não exista quase nenhum à venda em condições realmente boas. O Volvo 850!


Fabricado entre 1992 e 1997, o O Volvo 850 é um sedan de luxo (também disponível na versão SW) nos moldes de qualquer bom BMW, Mercedes e Audi. A unidade em questão era uma 2.0 aspirada com 170cv de potência, contava todos os equipamentos possíveis num carro dessa categoria, incluindo bancos de couro e teto solar elétrico. Com câmbio automático a sensação é que não se aproveita tão bem toda a cavalaria, mas um carro desse nível só se encontra nessa configuração.

Há uma ressalva das grandes quando se fala em automáticos no mercado de usados. Carros até o início dos anos 2000 não são tão recomendados a não ser que uma avaliação técnica aponte que estão em perfeitas condições, porque além da manutenção muito cara, as caixas dos anos 1980 e 1990 não tem os avanços tecnológicos que os carros mais novos têm. No geral eu tenho um grande receio com automáticos. Mas mesmo assim eu estava disposto a assumir alguns riscos depois de andar com esse Volvo.


Só há dois problemas sérios quando se avalia um carro dessa categoria e idade, aliás, problemas bem característicos desse modelo. Suspensão e (justamente) Câmbio, são as duas partes do carro que precisam ser minuciosamente avaliadas para garantir que não estão com problemas, pois o conserto supera facilmente o custo do carro no mercado. E para minha "surpresa", apesar de estar andando aparentemente bem, uma pisada mais forte no acelerador e uma passagem por rua esburacada revelavam a verdade por baixo da carroceria bem cuidada.

Os típicos barulhinhos ao passar por buracos não podem ser ignorados num carro desse, bem como a sensação de se estar dirigindo um biarticulado ao pisar fundo no acelerador. Eu nunca havia dirigido esse modelo, mas achei estranho. Em uma oficina especializada veio o veredito, o carro estava com a caixa em ponto e quebra e a suspensão já havia passado dessa para uma pior a muito tempo. Conclusão, para deixar esse carro em dia seriam necessários cerca de 7 mil reais, para um custo de negócio próximo de 10 mil a proposta era inviável.


Além do tamanho, motor e nível de equipamentos, outra coisa que chama a minha atenção nesse carro é o desenho. Esse estilo quadrado e imponente combina com um sedan dos anos 1990. Com belas rodas e um ronco bacana (esse carro aliás era equipado com escape esportivo, chegava a ser exagerado) é uma combinação e tanto para chamar atenção nas ruas. Outros modelos com esse mesmo espírito são os Famosos Accord de 1994 a 1997 e com muita sorte se encontra um Nissan Maxima por aí. Fora os famosos, porém outro nível, 325, C180 e A4.

Falar em preço é bem complicado, mas um 850 sedan deve custar em torno de 10 a 12 mil reais, a versão perua pode ser um pouco mais cara. Mas não adianta, um carro desse precisa ser virado do avesso antes de comprar e só fechar negócio se você se apaixonar perdidamente por ele, porque é pra casar! A tarefa de tentar vender um desses é tão ou mais complicada do que achar um que preste. Mas no meu caso, valeu e muito a experiência de avalia-lo!


Sobre as fotos, a primeira é de um modelo impecável como da época de novo, enquanto a segunda é do veículo efetivamente em negociação na ocasião.