quinta-feira, 23 de março de 2017

Guia do Usado - Peugeot 206

Quem me conhece sabe que eu tenho uma opinião formada sobre Peugeot. Guardo sérias ressalvas quanto à manutenção desses carros, e me baseio friamente em fatos observados ao longo dos anos que me interesso pelo mercado de automóveis. No entanto, eles estão aí, sempre disponíveis nas lojas e anúncios, portanto é justo que eu pontue minhas observações e faça meus apontamentos a este modelo, que independente dos detalhes, trouxe a Peugeot de volta ao mercado brasileiro. O 206!


O desenho quase revolucionário do novo Peugeot foi conhecido pelo público em 1998 e cerca de um ano depois aqui no Brasil. Em versões 1.6 e logo depois 1.0, o carrinho chegou causando alvoroço no mercado de populares, pois naquela época não era nada comum um carro pequeno ser tão bem equipado. Seu concorrente direto sempre foi o Clio, que muitos já sabem é um dos meus preferidos, mas o preconceito e desconfiança nunca ameaçaram as vendas de Gol, Celta, Uno e cia.

Um dos destaques do modelo era o motor 1.6 16v de 110cv, um verdadeiro canhão pelo tamanho e peso do carro, outra característica, como já citado, era o pacote de equipamentos muito bem recheado. Os carros costumavam vir com vidros e travas elétricas, além da presença de direção hidráulica e ar condicionado, hoje em dia equipamentos básicos, naquela época considerados grandes luxos, ainda mais em veículos de entrada.


O motor 1.0 deixou de ser oferecido em 2004, passando o mais fraco a ser o 1.4, o que serviu para desgruda-lo do mercado de populares, já que nunca foi um concorrente de peso ali. Pouco antes disso, em 2002, foi oferecida uma charmosa versão cabriolet. Em 2005 veio a SW, uma perua pequena apoiada no tradicional pacote de equipamentos. Em 2007 a Escapade, inspirada nos Adventures da vida, ainda sob a tutela 206. Encerrou suas atividades em 2010, um ano após a chegada do seu substituto, o 207, que trouxe de quebra as versões sedan (Passion) e pick-up (Hoggar).

O porém da Peugeot sempre ficou por conta dos custos de manutenção. São carros temperamentais, que dependendo da sorte do dono podem dar problemas simples com alta frequência. E os custos não são dos mais baratos. Ainda que a linha 206 seja a mais confiável pelo que sempre escuto. Se formos nos sofisticar um pouco mais, os 307 são duros de encarar. O que dificulta a vida de um postulante à dono de Peugeot usado, é que o fator sorte pesa muito mais do o normal na compra do veículo.


Só para não passar em branco, acho legal relembrar a trajetória Peugeot no Brasil. Além dos 504 que já comentei no passado, nos anos 1990 nós tivemos os modelos 105 e 205, quadradinhos e feios até o osso. Depois tivemos o 306, que de certa forma é um clássico, até com versões Cabriolet, era um hatch pequeno e muito estiloso para fazer frente à Escort RS, Golf GTi, Kadett Sport e etc. E o pequeno 106 que foi quem deu abertura à nova fase da marca. Um desenho limpo e atraente, num carro que não vingou, mas abriu as portas para o 206 fazer sua história.

Os 206 padrão, os hatch, seja 1.6, 1.0 ou 1.4, são encontrados entre R$ 10 e R$ 15 mil reais. Atenção, pois há muito modelos à disposição, então é fundamental uma procura ampla. As SW variam de R$ 15 a R$ 20 mil. Eu particularmente, indico uma boa Palio Weekend ou até mesmo uma Parati, mas se a oportunidade vier de encontro e quiser arriscar, basta tomar cuidado. Há algumas raras versões Cabriolet por aí, na casa dos R$ 40 mil, mas aí é brinquedo para quem tem dinheiro e não sabe onde gastar. Não é minha primeira sugestão nessa faixa de preço, mas as opções estão aí.


Em imagens, o modelo CC 2004, um padrão ano 2002 e uma SW 2007 na versão Escapade. Então pe isso galera. Aquele abraço!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Guia do Usado - Nissan Livina

O modelo de hoje é um automóvel extremamente discreto, de uma categoria que fez um razoável sucesso no início dos anos 2000, mas que hoje em dia já não é mais tão valorizada. A marca é uma das grandes japonesas, mas não pode-se dizer que ela é um sucesso no Brasil. O que sabemos é que este modelo em questão, agrada em cheio seus consumidores e é famoso pela motorização confiável, alto nível de equipamentos e conforto para seus ocupantes. Ele é o Nissan Livina!


Vou fazer um paralelo que poucos entenderão, mas mesmo assim vai lá, eu acho o Livina a cara do Sportage 1997 (inclusive pela presença de versão Grand), não que os carros tenham algo assim tão em comum, mas é pela harmonia do desenho, por ser uma minivan (àquele era um suv) mas com cara de automóvel pequeno. São práticos para o dia a dia, fáceis de estacionar, ótima visibilidade, mas oferecem um grande conforto em viagens e um espaço interno generoso.

Este simpático Nissan foi lançado em 2009 como modelo 2010, disponível nas versões S e SL, com motorização 1.6 e 1.8. Após alguns meses foi lançada a versão X-Gear, na levada dos aventureiros urbanos. No fim das contas eram uns apliques externos, mas de bom gosto, que dão um ar de personalização de fábrica mesmo. Em 2010, como modelo 2011, a Nissan apresentou a Grand Livina, que difere da primeira pelo tamanho na janela traseira e pelos 7 lugares.


As dicas primordiais para a caça à um bom Livina é atenção à revisões e ficar de olho na quilometragem. As versões dos primeiros anos são bem comuns de se encontrar beirando ou até um pouco acima dos 100 mil km, já que são bons automóveis para viagens, essa característica é comum. É bom ficar atento às de km muito baixa, pois isso pode caracterizar adulteração pela loja. O mais comum é encontra-la em versões automáticas, mas as manuais não chegam a sofrer desvalorização acentuada por causa disso.

Como toda a família Nissan, esses automóveis nunca foram top de vendas, eles são mais uma opção alternativa de conforto e exclusividade, para quem precisa de um bom carro para a família, mas não simpatiza com Meriva, Idea, e outros mais comuns. Talvez a Livina só seja mais comum do que o Tiida sedan, versão do hatch homônimo que é tão rara quanto a mesma configuração para o Peugeot 307. Mas as semelhanças com os franceses da PSA param por aí, visto que Nissan é uma marca confiável.


Mas já que estamos falando de França, o que nem todos sabem é que essas Livina foram fabricadas aqui no Brasil, na mesma fábrica da Renault em São José dos Pinhais. Sim, pois a Renault - Nissan é uma aliança já conhecida do mundo automotivo. Tanto que há planos de que a nova geração da Pick-Up Frontier acabe derivando uma Pick-Up Renault para entrar nesse mercado. E uma coisa que nem eu havia reparado, a Livina não consta mais nos catálogos da Nissan, pois ela deixou de ser fabricada em 2014. Foram 5 anos e não muitas unidades, portanto, a caça pode ser grande.

Enfim chegamos aos preços, e como é um automóvel de curta duração no mercado, ficou bem simples de pesquisar. Entre 2009/10 e 2014, tirando alguns pontos fora da curva, elas custam entre R$ 25 a R$ 40 mil reais. Ficando as mais baratas as versões S 1.6 e as mais caras as X-Gear ou Grand 1.8. Algumas opções são bem recheadas, com banco de couro e sensores de estacionamento. Só o que sei é que ouvi falar muito bem e considero esta uma excelente opção entre carros para família, nessa faixa de preço.


Nas versões S 2010, Grand 2014 e X-Gear 2012, para vocês! Aquele abraço!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Guia do Usado - Mitsubishi Pajero

É lógico que quando se fala de Fora de Estrada, muitas pessoas lembram do Jeep, alguns mais excêntricos talvez lembrem até dos Land Rover, mas se há uma lenda nesse terreno, ela se chama Mitsubishi Pajero. Consagrado nos Rallis desse mundo afora, trata-se de um Off Road na essência, claro que com muitas versões cheias de itens de conforto para serem usados na cidade, mas a marca sempre preservou o espírito de aventura que o ajudou a chegar onde ele é visto.


O Clássico Pajero data de 1992 aqui no Brasil, com alguma sorte pode-se achar alguns de importação independente de algum período dos anos 1980. Nas versões 2 e 4 portas, o jipão era um só até 1997. Junto com outros modelos da Mitsu, o Pajero era para poucos e até hoje eu considero aquela versão como uma das mais emblemáticas. Eis que em 1998 a marca resolveu comandar uma revolução no modelo, pegou o nome Pajero e o dividiu em três modelos de segmentos e públicos diferentes.

Foi em 1998 que chegaram ao Brasil o Pajero Sport, um utilitário esportivo mais urbano, para agradar a um público cada vez mais crescente; o Pajero io, que nada mais é do que o predecessor do nosso TR4 de 2002, para o qual só muda o nome mesmo, e o velho Pajero seguiu com o sobrenome de Full. E foi subdividindo sua lenda em três maquinas novas que a Mitsubishi abocanhou mais fatias do mercado. Desde de 2002 o pequeno TR4 é o sucesso da marca no país.


Fama comum à praticamente todas as marcas japonesas, há duas formas de se encarar os gastos de manutenção desses automóveis. Os motores são ditos inquebráveis, mas se estiverem com problema os custos podem ser relativamente altos. Mas se um Corolla já é difícil de estragar, imagine um carro feito para disputar o Paris x Dakar?! Lógico que há um exagero nessa frase, mas uma boa revisão num local especializado já lhe dirá se vale a pena pagar o valor de um popular zero por um Pajero com mais de 20 anos de uso.

Entre 1998 e 2002 o nosso pequeno TR4 era chamado de Pajero IO (que nada mais significa do que EU em italiano). Eu particularmente também acho que TR4 é mais a cara do modelo, mas o que nem todo mundo sabe, é que o nome foi trocado devido à justificativa da marca de que o nome IO poderia ser confundido com 1.0 na traseira do carro. Parece engraçado, mas os departamentos de marketing das empresas são pagos para prestar atenção à esses detalhes. Fato que o TR4 vende bem, pode ter a ver com isso ou não.


Para terminar as linhas evolutivas do modelo, ao longo dos anos 2000 a Mitsubishi foi fazendo seus tradicionais upgrades de design, a Sport passou a ter a mesma cara da L200 Triton, e em 2009 foi lançada a versão Dakar da Pajero, de certa forma substituindo a própria Sport. A Full e a TR4 continuam firmes na luta, cada uma em sua categoria. Percebe-se que com os recentes lançamentos do mercado e até da própria marca, como ASX e Airtrak, a linha Pajero perdeu um pouco de força ultimamente.

Como grandes carros e grandes clássicos, não é o ano que define o preço, mas sim o estado e a versão. A Pajero mais barata que se pode comprar é da dupla IO/TR4 entre 1998 e 2005/6, em torno de R$ 25 mil reais por um bom exemplar. As clássicas de 1992 a 1997 chegam perto de R$ 30 mil, mas devido ao seu tamanho e seus motores à diesel. Uma Sport ano 2000 e acima vai custar a partir de R$ 40 mil, enquanto que uma Full acima de 2007 não sai por menos de R$ 60 mil. É um clássico, é para poucos, é Pajero!


E nos modelos, um clássico 1994, um Sport 2000 e um TR4 2007. Atenção ao vídeo dessa semana com uma versão ao vivo de Dream On... Assista até o fim! Aquele abraço!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Guia do Usado - Nissan Sentra

Neste momento, estamos vivendo a febre SUV, mas cerca de 10 anos atrás (talvez até um pouco antes) outra categoria de automóveis estava vivendo seu turbilhão no mercado nacional. Foi a era dos sedans médios. Encabeçados, é claro, por Civic e Corolla, esses carros familiares e esportivos fizeram a cabeça de muita gente. Toda marca precisava ter seu representante, e para a Nissan, tradicional montadora japonesa, iniciando uma nova fase no Brasil, não era diferente. Eis que veio com tudo, o Sentra.


O que nem todo mundo sabe, é que passaram pelo Brasil outras duas gerações do sedan japonês. A primeira vez foi na abertura das importações, entre 1991 e 1997 a Nissan vendeu aqui o seu veículo, que na época concorria com os clássicos Vectra, Santana, além é claro dos seus conterrâneos como Civic e Corolla. Após uma decisão de negócios, a Nissan saiu do Brasil por um período, retornando apenas no início dos anos 2000. Em 2004 o Sentra estava de novo nas ruas, mas é raro encontrar um dessa safra.

O modelo que marca a reentrada da marca é apenas o Sentra 2007, famoso naquela propaganda do carro de tiozão. Um sedan conservador, muito espaçoso, alia bom desempenho e economia, além é claro da já consagrada mecânica nipônica. Esta geração é hoje uma pedida para quem quer um carrão, mas ao mesmo tempo discreto, e por um custo bem acessível. Os pontos negativos seriam justamente o pouco status, já que é um automóvel que praticamente não chama atenção e a desvalorização, comum há alguns importados.


Em 2014 e depois em 2017 o Nissan se renovaria mais um vez, aumentando em tamanho e classe, apesar da marca ainda fazer parte daquelas que não dominam o mercado, agora o Sentra é um carrão capaz de bater de frente com rivais até mais nobres como Azera e Fusion. Não que isso signifique tanto assim, uma vez que nenhuma marca conseguiu desbancar a outra dupla japonesa dessa categoria. Aliás, a última geração do Corolla, nem o Civic conseguiu alcançar.

O que eu gosto da categoria dos sedans é que eles são mais carros para quem gosta de carro, são modelos mais baixos e geralmente mais esportivos que um SUV independente do porte. Uma pena essa última categoria ter praticamente aniquilado as Peruas do mercado. Desde quando pode-se substituir uma Fielder por um Rav-4 e cia? A velha Quantum, ou ainda a inabalável Suprema que o digam. Hoje em dia é tudo muito Jipinho urbano.


Mas voltando ao Sentra, sem dúvida a versão de melhor custo benefício nesse momento é a geração 2007/2013, ainda que seja o mais sem graça de todos, por tudo que o automóvel oferece acaba valendo a pena. Como seus donos anteriores não são os típicos boys de meia idade, as chances de encontrar um carro em estado impecável é muito grande. Tanto nas opções de câmbio manual como na excelente CVT, um Sentra resolve a vida de um pai de família que quer conforto nas viagens e tranquilidade no dia a dia.

A versão que recomendo pode ser encontrada em torno de R$ 25 mil reais, o que é um preço bem interessante por um automóvel dessa categoria. A de anos 2004 a 2006 é possível de encontrar também, seus modelos variam em torno de R$ 15 a 20 mil. Os antigões existem por aí, normalmente abaixo de R$ 10 mil. E os novos, acima de 2014 prepare mais de R$ 40 mil reais. O Sentra na realidade é um clássico japonês, nós é que não temos tanta intimidade com ele.


Eu até tinha imagens do modelo 1994, mas ninguém iria dar muita importância, então optei pela trilogia 2006 / 2008 / 2015 para ilustrar o texto. Por hoje é só galera, aquele abraço!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Guia do Usado - Daewoo Espero / Lanos

Se não me falha a memória, a Daewoo foi a primeira marca coreana a ter uma gama mais completa de carros aqui no Brasil, mesmo tendo vindo junto com outras clássicas como Kia, Hyundai e Asia, estas três eram mais dedicadas às Vans e pequenos caminhões. Empresa do Grupo GM, além do subcompacto Tico, categoria que nunca decolou por aqui, a marca ficou famosa mesmo com seu sedan médio feito sob a plataforma do Monza. O Espero é um clássico dos anos 1990, e no texto falamos um pouco sobre outros modelos também.


Disponível entre 1994 e 1997, mesmo ano que foi substituído pelo Lanos que foi até 1999, o Espero é um sedan de linhas retas, bem ao estilo do início dos anos 1990 e que não faz feio nas ruas. Completão de fábrica, vinha com o 2.0 de 120cv do nosso Monza sob o capô. Seus bons tempos foram no início dos anos 2000, quando podia se encontrar um exemplar em excelente estado por um preço atrativo. Hoje em dia, infelizmente, é bem raro encontrar um que valha a aposta. Mas o conforto e potência dignos de um GM estão lá.

O Lanos já foi um concorrente de automóveis como Escort Zetec e outros da mesma linha, é um sedan pouca coisa menor, mas com padrão de carro mais caro. Um desenho já bem arredondado, harmonioso e, claro, também completo. Sua motorização é 1.6 com muitos componentes do Corsa. Apesar de ser pouca coisa mais novo que o Espero, ainda é possível achar Lanos em estado que vale a aposta, é um carro de nicho, mas pelo mesmo preço de um Corsa básico você sai com um sedan muito bem equipado.


Há outros modelos menos comuns da marca rodando por aí, talvez o mais emblemático seja o Super Salon, um sedan com motor de Omega, porte avantajado e desenho sóbrio. Há também modelos como Prince, Leganza e Nubira, este último encontrado na versão wagon, como uma belíssima perua, que nos anos em que esteve no mercado, dava um banho de tecnologia e conforto em qualquer Parati, Corsa, Palio e outras. Em termos de categoria ela era mais uma Ipanema (muito melhorada) do que a própria Corsa.

Já deu pra perceber que comparei muita coisa com Chevrolet, mesmo que a marca seja Daewoo. Sim, pois como falado, são marcas do mesmo grupo e nesse caso específico elas compartilham muitos componentes. Qualquer problema que você tiver de mecânica, não se desespere, peças do Kadett, Monza e Corsa são bem vindas nesses modelos. O problema é mesmo se você tiver alguma avaria na lataria, aí sim fica bem difícil de achar peças. Sabe aquele cuidado que você tem para não bater? Tenha o dobro com esses carros. Eu era assim com a minha Seat.


Eu acho que esse texto é dedicado não às pessoas que estão procurando um carro único, um carro para a família, mas sim às pessoas que estão em busca de um segundo carro e tem coragem de inovar. Pois com esse custo x benefício é difícil de achar. Na minha opinião, para quem não quer um carro com aparência de velho, o Lanos oferece muito pelo preço que se encontra. Tudo bem que entre o Espero e o Monza, o segundo é melhor, mas o Espero é bem mais exclusivo.

Então fica assim, tanto um bom Espero, completo e em estado não deplorável, quanto um Lanos em dia, pronto para usar sem medo, vão ser encontrados na casa dos R$ 10 mil reais. Um Tico pode ser encontrado até por R$ 5 mil, para quem é fã do Gurgel mas não o encontrou, talvez seja uma opção, indico ainda um Subaru Vivio. E por fim, e isso eu repasso como fato observado, um Super Salon, em estado aparentemente excelente, foi visto recentemente por R$ 15 mil reais. Há carros para todos os gostos e bolsos, basta você encontrar aquilo que gosta.


E começamos com um Espero 1995, seguido de um Super Salon de mesmo ano e um Lanos 1999 para fechar. Um pouco de Engenheiros pra vocês, porque "a medida de amar, é amar sem medida". Aquele abraço!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Guia do Usado - Citroen C4

Revisando meus arquivos, vi que eu até citei esse carro há uns tempos atrás, mas não relatei motivos para ter ou não escrito sobre ele. A questão é que se trata de um modelo (e uma marca) que convive entre admiração e receio do consumidor. Ao mesmo tempo em que sabemos da qualidade e exclusividade de seus automóveis, a sua desvalorização acentuada e manutenção de valores elevados assusta a maioria das pessoas comuns. Hoje falamos sobre a linha C4 da Citroen.


O C4 é um modelo que me atrai mais pelas estratégias de marketing adotadas pela montadora do que pelo carro em si, lógico que trata-se de um automóvel sofisticado e que chama bastante atenção, mas a forma de colocação no mercado (como veremos a seguir) demonstra um claro objetivo de visar públicos bem definidos e aos poucos ir abrangendo mais. Prova disso é que a versão 4 portas só chegou ao Brasil 4 anos depois da apresentação e também foi responsável pela descontinuidade do 2 portas.

Então foi mais ou menos assim, em 2006 a Citroen lançou o C4 VTR, um hatch esportivo de 2 portas, cujo principal destaque era o vidro traseiro dividido em 2 por causa de uma espécie de aerofólio / spolier. Apenas em 2009 foi lançado o hatch de 4 portas, aí sim um modelo mais normal, mas ainda assim muito interessante. Porém em 2008 veio ao Brasil o Pallas, um sedan quase tão grande quanto um Omega, que foi vendido até 2013. O VTR foi descontinuado em 2009 e o 4 portas seguiu até 2014.


Em paralelo a história acima, outro sobrenome de peso da Citroen veio a utilizar-se do C4, trata-se das minivans Picasso e Grand Picasso que povoam as ruas desde 2008. Já em 2014 a Citroen substitui o Pallas pelo sedan Lounge, todos com o nome de C4, e no fim do ano encerra o hatch. Hoje em dia é neste Lounge que repousa o nome do modelo. Hoje então, apenas um sedan médio sofisticado, mas que continua com a discreta presença nas ruas de outros Citroen e Peugeot de categorias superiores.

E falando em Peugeot, nunca é demais lembrar que essas duas marcas pertencem a um mesmo grupo, PSA, e que compartilham muitos itens de mecânica e plataformas de automóveis. O exemplo clássico é nos populares 206/7/8 e C3, que quase sempre dividem a motorização. Isso é relevante no sentido de que a manutenção de ambos é muito próxima em termos de valores, e nós já sabemos que não é dos mais atrativos.


Recentemente tive a oportunidade de testar um C4 automático, além do volante de miolo fixo (característica desse carro) pude perceber que o 2.0 casa bem com o câmbio, garantindo boas retomadas e um desempenho compatível com a capacidade cúbica do motor. Um ponto de atenção deve ser nas peças de funilaria, já que o carro avaliado estava com um farol paralelo devido a uma pequena batida, e o mesmo não se encaixava corretamente. Pude notar posteriormente que isso é bem comum na linha C4 devido ao alto custo das peças.

Então vamos às ofertas, pois aqui que mora a oportunidade. Um C4 VTR 2006/2007, um hatch esportivo e exclusivo, pode ser encontrado a partir de R$ 25 mil reais. Esse é o mesmo valor do sedan Pallas, que impõe muito respeito nas ruas e tem um visual que não envelheceu ainda. Até mesmo o hatch 4 portas 2009 pode ser encontrado por esse preço. Mudando de categoria, quaisquer C4 Picasso em bom estado vai começar na casa dos R$ 35 mil. E os novos Lounge, de 2014, partem de R$ 45 mil. Para quem quer um carrão e não tem medo de manutenção mais salgada, está aí mais uma dica!


O esportivo VTR de 2006, um pacato 4 portas de 2010 e um Pallas 2008. Aquele abraço!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Guia do Usado - Eclipse

Eu até fiquei em dúvida se definia o veículo de hoje como Usado ou como Sonho, não que isso mude em alguma coisa a minha admiração e reverência ao modelo, mas no fim das contas o seu valor mais "acessível" e alguma ausência no hall da fama dos supercarros me fez avaliado mais de acordo com a visão mercado. É o primeiro Mitsubishi a figurar no Rápidas, e não poderia ser outro, apesar da grande relevância dos jipões Pajero e da icônica L200, o Eclipse é um dos esportivos japoneses de maior expressividade.


Disponível no Brasil desde a abertura das importações, entre 1991 e 1992 já há relatos desses esportivos nas ruas e nas garagens de alguns afortunados, o destaque dessa primeira geração local é o desenho arrojado e o "calombo" no capô para abrigar as particularidades do motor 2.0 com 16 válvulas. Mesma solução foi adotada pela Vw do Brasil ao lançar o Gol GTi 16v em 1995. O Eclipse 1992 divide espaço com o modelo 1995 como o mais popular nas nossas ruas.

A geração de 1995 a 1998 é com certeza a mais famosa em nossas terras, mesmo que a geração pós-2000 tenha vendido razoavelmente bem, o Eclipse clássico é com certeza um GST 1995 vermelho. Outro momento histórico para o modelo foi a sua aparição em Velozes e Furiosos de 2001, o Eclipse tunning verde, que é destruído logo no início da trama, nunca mais saiu da cabeça dos fãs de carro e com certeza inspirou uma geração de personalizações no mundo automotivo.


A geração 2000 é mais sóbria, com seu desenho de linhas retas e afiadas, mais um vez foi para o cinema em +Velozes +Furiosos, ambientado em Miami, era um estilo chamativo demais, mas que cultua fãs pelo mundo afora. Por aqui é um pouco incomum, mas algumas versões do modelo fechado podem ser vistas de vez em quando. Ouve uma paralisação nas importações entre 2003 e 2004, sendo assim o modelo é disponível nos anos 2000, 2001, 2002 e 2005. Fato semelhante ocorre em 1999 quando não houve importação.

Novas gerações foram apresentadas em 2006 e posteriormente 2008/2009 sendo este seu último ano por aqui. Os modelos mais novos remetem um pouco às linhas clássicas do GST 1995, mais arredondadas e anabolizadas, casam bem com o novo motor 3.8. Aliás, o motor 2.0 16v está presente até 1998 quando deu lugar ao 3.0 até 2005. O Eclipse com certeza é um carro para poucos, seja pelo número reduzido disponível no mercado ou seja pela sua manutenção nada amigável.


Por ser um modelo esportivo, os primeiros donos desses bólidos os compraram para pisar no acelerador, e carro novo não dá muita preocupação. Quando um modelo mais interessante era lançado, a maioria ia para as mãos de pessoas menos abastadas que apostavam na desvalorização como vista de oportunidade. Só que nem tudo são flores, um modelo bem usado apresenta problemas antes dos 100 mil km, e essa manutenção não é barata, fazendo com que muitos negligenciem e os usem até os limites e depois repassem aos custos de um futuro comprador.

Esse final trágico é que nos leva a um número bem reduzido de possibilidades encaráveis, a um preço nem tão atrativo assim. R$ 20 mil reais é o que se paga por um GS 1993 em estado "por sua compra e risco". Saltando para R$ 35 mil no clássico GST 1995 e podendo passar dos R$ 50 mil num modelo 2006. Para quem pode bancar, eu não tenho dúvida de que se trata de uma relação custo x exposição bem mais interessante do que qualquer BMW ou Mercedes usada, mas isso vai muito do perfil de quem compra.


E para quem é fã de uma das franquias mais rentáveis da história do cinema, a música deve ser conhecida também. Começando pelo 1995 de Velozes e Furiosos, passando pelo GS 1993 e um modelo 2008 da última fase. Aquele abraço!