quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Guia do Usado - Audi TT

Diferente do Z3, que nasceu como roaster e teve uma versão cupê de baixa expressividade, o automóvel de hoje nasceu como cupê 2+2 (dois adultos à frente e dois bancos atrás que comportam com conforto apenas duas crianças). Essa técnica é conhecida aqui no Brasil com os Puma dos anos de 1970 e 1980. No ano seguinte sim, foi lançada a versão sem capota. Apesar de ter tido um início de carreira tumultuado, logo se tornou um grande sucesso. Com vocês, o Audi TT.


Fruto da mesma plataforma que deu vida nova à Golf pela Volkswagen e lançou o A3 (ícone de popularidade da Audi) o TT surgiu como um esportivo compacto e divertido, num momento em que a marca estava à toda no Brasil, devido à inauguração de uma fábrica no Paraná. Os salões e revistas especializadas receberam as novidades com muito entusiasmo, e o desenho do TT, baixo e de frente arredondada, chamou atenção e gerou grandes expectativas.

Infelizmente o ímpeto do pequeno esportivo foi freado em suas primeiras unidades e teve de retornar aos boxes para alguns ajustes. Com motores de 180 e 225cv, os Audi TT foram feitos para voar, mas eles acabaram levando isso muito à sério. Foram reportados uma série de acidentes envolvendo os primeiros modelos, que decolavam ao passar de 180 km/h. Tudo bem que é uma velocidade não muito corriqueira, mas isso não deve acontecer. Todas as unidades foram recolhidas, sofreram recall e foram adotadas medidas de controle de estabilidade antes da retomada da produção.


Tanto a versão cupê lançada em 1998 como a roadster de 1999 passaram pelos ajustes, que ocorrem até o início do ano 2000, mas num trabalho feito com responsabilidade, a marca não sofreu prejuízos acima de um incômodo dos mais estudiosos, e dali em diante o TT virou um grande sucesso. Tanto naquela geração de lançamento, na minha opinião a mais clássica, como nas posteriores, que viriam em 2006 e a atual lançada em 2015.

Os motores são os mesmos usados em muitas versões de Golf, A3, A4 e Passat, as diferenças ficam por conta dos mapeamentos eletrônicos que deixam o carro com maior potência. Outra grande inovação que acompanha o modelo é o sistema de dupla embreagem que vêm em conjunto com o câmbio tiptronic na segunda geração. Acabou virando uma referência e mudou o padrão dos carros velozes, fazendo com que, pela primeira vez, um modelo automático possa render tão bem quanto um pilotado manualmente.


Falando um pouco sobre o conversível, a diferença é a ausência dos pequenos bancos traseiros da versão cupê. Não da para afirmar qual vendeu mais, eu diria que pela percepção de mercado, ambos tem números próximos de vendas. Aparentemente superiores dos de Bmw Z3 e Z4 para os mesmos períodos avaliados. Para os que me conhecem a mais tempo não é novidade se eu disser que acho o mais antigo mais atraente. A evolução das gerações torna os carros menos estilosos e mais tecnológicos, como se fossem desenhados por um robô.

Tanto vendeu mais, que no caso do Audi é possível observar a clara faixa de preços das três gerações, que partem de R$ 60 mil reais para os modelos 1998 a 2005, sobem para R$ 100 mil na média de ano 2010 e chega a quase R$ 200 mil nos acima de 2015. Se vale tudo isso? Os mais novos com certeza não, mas aí são para bolsos que não se preocupam com o custo das coisas. Agora o mais antigo está sim no preço correto e dificilmente isso diminuirá. À medida que esses carros ficam mais raros, a tendência é até subir mais.


Nas versões cupê 2000, Roadster 2005 e a 3ª geração de 2015. Assim vai nossa pitada de mais um carros. Aquele abraço!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Guia do Usado - Bmw Z3

O que é um Roadster? Embora já existam desde o início do século XX, os conversíveis de dois lugares, majoritariamente esportivos, nunca foram muito comuns no Brasil. Praticamente sem existência até a abertura das importações em 1990, houve um pequeno ensaio com o Mazda Miata e o Alfa Romeo Spyder, mas que, apesar de serem clássicos e muito valorizados hoje em dia, não tiveram vendas tão expressivas. O primeiro roadster de impacto do mercado nacional foi de fato o BMW Z3.


A história começa um pouco mais cedo, na realidade em 1989, quando a BMW lançou o Z1 com suas icônicas portas que se recolhiam para baixo dentro da carroceria. Recentemente flagrei um carro desses aqui no centro de Curitiba. Esse carro é um marco na história dos conversíveis, tanto pelo seu desenho, como pela sua produção limitada à 8.000 unidades. Curiosamente nunca existiu um BMW Z2, e a produção do Z1 se encerrou em 1991.

O Z3 foi apresentado em 1996 e chegou ao Brasil no ano seguinte, um impacto diante dos sóbrios 325 e 528 vendidos pela marca na época, e ainda assim bem diferente do 840 cupê. Linhas arredondadas, frente baixa, dimensões compactas e um estilo um degrau acima do Miata e Spyder. Mesmo o Auti TT que ainda viria a ser lançado posteriormente não tinha o apelo visual desse BMW que já nasceu como clássico.


Para os entusiastas e fanáticos por carros, foi uma surpresa o fim da produção do Z3 já em 2002, ao ser substituído pelo Z4, mas a marca estava passando por uma fase de reformulação de design, troca de projetistas e um novo projeto era necessário para dar uma nova cara. Infelizmente, na minha humilde opinião, o roadster perdeu seu carisma. O que era um carro que as pessoas tinham admiração ao ver na rua, virou mais um carro de rico como os Mercedes SLK.

Eu até tenho a impressão de que o Z4 vendeu mais que o seu antecessor, mas isso se justifica pelo tempo muito maior de produção, já que sua importação regular seguiu normal até 2016, e principalmente pela condição da economia no início dos anos 2000. Atenção, não estou falando de política, mas fatos são fatos, e por um período de 5 a 10 anos no início da década passada, vivemos sim um boom de consumo e mais pessoas tiveram acesso a bens mais luxuosos.


Hoje em dia é raro ver esses roadster dos anos 1990 pelas ruas. Com alguma sorte em um final de semana de sol você os verá circulando próximos às casas de seus proprietários que estão apenas dando uma pequena volta para tira-los da garagem. Infelizmente a economia atual não ajuda à emplacar novos conversíveis e também o comportamento do consumidor mudou, talvez daqui há algum tempo vamos ver os Evoque conversíveis por aí, mas na mão de alguns excêntricos, pois a plataforma do momento é o SUV e pronto.

Se é raros nas ruas, o mesmo pode-se dizer da lojas, em minha última busca rápida achei apenas um anúncio do BMW, Z3 1.9 1997, por modestos R$ 60 mil reais. E eu diria mais, é nessa média de valor que você irá encontrar qualquer representante dos anos 1990. Talvez um bom Miata custe até mais que isso. Independente do número de passageiros, um conversível sempre será difícil de achar. Seja um XR3 ou um GSi na casa dos R$ 15 mil, ou um TT e Z4 mais novos próximos dos R$ 200 mil.


Então vamos lá, começamos com um belíssimo Z3 1997, seguido do seu antecessor o icônico Z1 de 1989 e fechamos no Z4 de 2006. No vídeo, uma do acústico do Alice in Chains. Aquele abraço!

sábado, 30 de setembro de 2017

Guia do Usado - Daihatsu

É lógico que nem todos os textos vão refletir modelos e marcas de grande sucesso ou de grande expressividade no mercado. Alguns são mais à título de curiosidade, endossando a magnifica história dos automóveis, algo de interesse para quem gosta do assunto. É de domínio público que há alguns países de ampla experiência no mundo dos carros, dentre eles podemos destacar o Estados Unidos, Alemanha e certamente o Japão. E é da terra do sol nascente que vêm a marca de hoje, com breve passagem pelo Brasil, a Daihatsu.


O Japão tem grande tradição nos automóveis chamados subcompactos, tendo em vista seus centros urbanos de alta densidade populacional. É nesse mercado que, desde os anos 1960, até os dias atuais, atua a Daihatsu. Pertencente hoje ao grupo Toyota, há rumores de que a marca estaria estudando a possibilidade de voltar a comercializar seus carros no Brasil. Hoje em dia a competição seria acirrada com os chineses, mas devemos lembrar que até hoje tal nacionalidade não caiu no gosto dos brasileiros.

A presença da ilustre marca no Brasil deu-se entre 1994 e 1999, seus fatores de chegada foram a abertura das importações, no entanto o martelo foi batido com a implantação do Plano Real e a equiparação com o Dólar na época, o que fechava o valor dos carros num patamar bem competitivo. No entanto, com o estouro da moeda em 1999, seus argumentos foram por água à baixo e a manutenção das operações tornou-se inviável. Foi quando eles pararam de vender seus modelos no país.


Falando dos modelos que estavam à venda na época, se não me falha a memória, os mais conhecidos foram Charade, Applause e Cuore, sendo os dois primeiros muito parecidos entre si. O Cuore é um pequeno hatch de 4 lugares, tipicamente urbano. Já os outros são pequenos sedans. É raríssimo de ver um carro desses em bom estado e mesmo os que se encontram em boas condições não possuem valorização de antigo, pois tratam-se de carros sem atratividade nesse meio. Mas sempre me chamam atenção.

Mas além desses compactos, haviam dois outros automóveis, esses sim dignos de nota exclusiva. Feroza e Terios, dupla de jipinhos da marca que possuem um bom valor agregado no mercado. Primeiro porque são bem descolados e segundo que jipes em geral sempre tem uma construção mais aperfeiçoada, o que garante uma confiabilidade maior. Vide o texto anterior do Niva, o maior sucesso da Lada. Sendo assim, entre 1994 e 1997 o Feroza e de 1998 a 1999 o Terios, aí sim são os ícones da Daihatsu no Brasil.


A diferença entre os dois Jipes, para os leigos, está no design. O primeiro lembra muito os antigos Samurai da Sukuzi, desenho bem quadrado, chapas metálicas retas e visual bem rústico. Já o Terios é um sinônimo de evolução, seu ano é 1998, mas ele parece mais moderno que outros de mesma linhagem. Suas linhas se parecem com o Vitara de 1999. Talvez mais bonito até que os EcoSport 2004, é da fase de Jipes Urbanos, seu visual combina com a cidade, no entanto, fica devendo para o fora dela.

Agora temos duas linhas distintas, sendo uma a dos automóveis comuns que citamos antes, que vão girar em torno de R$ 5 mil, até R$ 10 mil reais, e o postulante a dono precisa estar preparado para enfrentar desafios e surpresas na manutenção. A outra linha é a dos Jipes, normalmente muito mais bem cuidados, seus preços beiram os R$ 20 mil reais e o comprador pode encontrar carros com um histórico bem mais agradável. Está lançada a marca e o interesse, o resto é com vocês!


Nos modelos Feroza 1994, Cuore 1995 e Terios 1998 você observa o estilo da marca. E no vídeo, um pouco da fase atual de Alice Cooper!

domingo, 17 de setembro de 2017

Guia do Antigo - Lada Niva

Confesso que eu tenho farta admiração por Jipes e Fora de Estrada em geral, mas minha admiração não se limita somente aos SUV que estão incomodando as garagens de shoppings e supermercados nos grandes centros, eu gosto dos clássicos Off Road, mesmo que eu não tenha nenhuma experiência com trilhas ou seu ambiente. Desde os clássicos Willys até os modernos T4 da Troller, mesmo que alguns nunca tenham visto lama, é um estilo de vida. E hoje eu quero falar de um carro que alguns amam, outros odeiam, mas famoso ele é, o Lada Niva.


Pouca gente sabe, mas o Niva existe desde 1977. Sim, a marca que popularizou o automóvel na Russia precisava de um Jipe para enfrentar as condições de lá. Aqui no Brasil ele chegou com a abertura das importações em 1990 e foi objeto de aposta de muita gente, tanto que com uma procura simples você encontra vários por aí. De novo, eu não entendo de Jipes, mas sei que ele é um carro simpático e que de longe é o Lada de maior sucesso por aqui.

Originalmente os Niva vinham com um motor 1.6 de 4cc carburado, e assim foram até encerrarem sua participação no mercado. Mas algo interessante sobre esses russos é que há uma gama de oficinas e proprietários que fizeram a troca dos motores, por diversos motivos, pelos clássicos e seguros motores AP da Volkswagen. Portanto, você irá encontrar alguns Niva com motor AP sim e não precisa estranhar. É um jipe, e isso por si só já mostra que o carro é robusto e aguenta mais trancos que carro pequeno.


Se você precisa de um carro de menos de R$ 10 mil, você só tem algumas opções seguras, Uno, Gol, Corsa entre outros populares. Mas se você é uma pessoa que tem dinheiro e está disposto à arriscar, é aí que entram esses modelos diferentes. Não pense que um Niva é o carro ideal para você usar no dia a dia, ou que seja uma opção para fazer negócio e ganhar dinheiro, mas sim um carro para usar nos fins de semana e curtir um hobby diferente. Um Niva em bom estado chama muita atenção nos encontros de carro.

A vantagem de um Niva é que você, que está pensando em virar jipeiro, pode começar com um baixo investimento, e se destruir o carro (o que é possível) não terá muito à recuperar. Lógico que eu aconselho ouvir as dicas de um especialista primeiro, mas já vi muitos desses em trilhas e acredito que sejam úteis. Claro que um Vitara seria melhor, mas hoje em dia os Suzuki estão sobrevalorizados. Mesmo que você tenha que montar o Lada, talvez ele saia mais barato que um Vitara já preparado.


Já se o seu objetivo é ter um carro diferente pra usar nos fins de semana, ou até mesmo no dia a dia, se seus trajetos forem curtos, está aí mais uma opção que depois de um trato pode te trazer muitas alegrias. Alegrias em um carro antigo é saber que ele vai pra oficina de vez em quando, mas saber também que você está dirigindo algo incomum e que chama atenção de quem entende. Para alguns isso não importa, para outros a ostentação é que vale, mas para quem gosta de antigos, qualquer elogio ao seu já basta.

Um bom Niva, em estado de assumir, deve custar entre R$ 10 e 15 mil reais. É bem menos que um Vitara (acima de R$ 20 mil). Perceba que nem falamos dos clássicos Jeep que vêm lá desde os anos 1950. Entendo que esse modelos são objetos de desejo de muita gente, eles merecem um texto único que ainda deve ser elaborado, mas por enquanto, os russos podem ser uma pedida bem divertida para quem quer algo diferente.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Guia dos Sonhos - Limousine

O mundo é cheio de símbolos e ícones que representam luxo e status. Aos poucos alguns desses símbolos vão se tornando acessíveis, ou pelo menos causam a impressão de ser. É como uma peça de vestuário ou acessório de uma determinada marca famosa, que parecia tão distante e agora está ali na loja do shopping chique que abriu recentemente. Continua sendo caro, mas se for o sonho de alguém, está há algumas parcelas do cartão de crédito de distância. Para quem gosta de carro, um símbolo de luxo e status pode ser a tal da Limousine.


Há coisa de 2 ou 3 anos atrás era quase impossível ver uma ao vivo, era coisa de filme ou de repente uma caravana presidencial vista pela TV. Embora elas existam no Brasil há mais tempo que isso, nunca puderam ser consideradas populares. Alguns exemplares utilizados por autoridades figuram em museus pelo país, mas hoje em dia não surpreende ninguém o fato de você estar na rua à noite e ver uma Limo branca ou às vezes até mesmo rosa, cruzando às ruas com festinhas rolando lá dentro. Um novo negócio surgiu.

A Limousine é quase tão antiga quanto o próprio automóvel, os registros apontam que a primeira Limo foi uma Cadillac modelo G 1909. Aliás, a marca de luxo americana, que já foi objeto de um texto exclusivo, é muito usada até hoje na configuração alongada, sobretudo em modelos como o CTS Presidencial e algumas transformações baseadas no imponente Escalade. No entanto, uma das transformações mais populares do mundo é a baseada no Lincoln Town Car, modelo que tive o prazer de experimentar em Las Vegas.


Em Curitiba há duas ou três empresas se especializando no aluguel desse tipo de carro, mas em cidades como Las Vegas, elas são tão populares que você as verá executando tarefas simples entre um e outro serviço, como ir ao supermercado ou à farmácia. Eu diria que lá, pelo menos a metade delas é feita sobre a plataforma dos Town Car, modelo elegante e luxuoso que combina bem com os serviços prestados. Casamentos, Festas e City Tours estão entre os mais contratados.

Por aqui estamos vivendo um boom baseado em um modelo bem específico. A grande maioria das transformações da região são do Chrysler 300C, modelo famoso por causa de uma novela há quase 10 anos atrás. É com base nesse americano da nova classe que são feitas a maioria das Limo brasileiras. A grande vantagem desse modelo está na frente que só de bater o olho todo mundo lembra. Uma identidade visual marcante, como as americanas, era o que a nova geração precisava.


Mas há uma gama correndo por fora, pois já não é de hoje que os luxuosos sedan estão sendo substituídos em várias garagens pelos SUV. Logo, essa tendência não teria como ficar de fora dessa modalidade de negócios em que moda é um fator importante. Se no exterior elas são comuns na plataforma dos Hummer, por aqui uma boa F250 da Ford pode se tornar o projeto perfeito de Limousine SUV. Há um nicho de clientes mais descolados e menos clássicos que podem preferir esse tema.

Bom, eu acho razoavelmente improvável que uma pessoa comum queira comprar uma Limousine como carro particular, mas eu aconselho um projeto exclusivo, então melhor começar com a compra do modelo base e depois procurar uma empresa especializada na transformação. Acredito que algo em torno de R$ 300 mil seja suficiente para algo bacana. Mas, se você só quer alugar, aqui no Brasil costuma-se locar esses carros por hora, para eventos, com o período total custando de R$ 1.500 a 2 mil reais.


As fotos do texto de hoje são todas minhas, primeiro a Lincoln Grace3 que locamos em Vegas, depois uma 300C em uma oficina próximo da minha casa tendo que fazer umas manobras, e por último uma Dodge Ram na Praça do Atlético em Ctba. E no vídeo, um pouco de classe e sofisticação de Prince!

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Guia do Usado - Nissan Versa

E lá vamos nós falar dessas categorias que se misturam, com carros tão diferentes entre si que mal podem ser fruto de uma comparação se não forem em preço ou motorização, o que pode diferir muito entre si. É fato que existem sedans pequenos, médios e grandes, mas desde que a Fiat lançou um tal de Grand Siena e manteve o Siena em linha, criou-se um nicho difícil de entender. Seria então um sedan pequeno premium? Cobalt também é dessa leva, e o de hoje é o Nissan Versa.


Ele é maior do que os tradicionais Voyage, Siena e Prisma, mas não pode ser comparado nem mesmo a um City, que dirá a um Civic. Ele tem motores 1.0 nas opções, mas o que lhe cai bem mesmo é 1.6. Tem um design elegante, linhas fortes, que o fazem parecer maior do que realmente é. Talvez o Novo Logan (pós-2015) tenha se inspirado bastante em como se portar nas ruas com este que é uma espécie de primo mais velho, dada a aliança Renault-Nissan já conhecida do público.

Fruto dessa nova fase da Nissan no mercado brasileiro, lançado em 2011/2012, o Versa fez o que muitos importados fazem no início de carreira, aparecem bem equipados por um preço acessível. O que define se esses carros serão sucesso ou não é o pós-venda. O comportamento dele em relação ao público que o adquiriu faz mais pessoas o quererem, ou não. E assim temos cases de sucesso como o HB20, assim como menos expressivos como o Toyota Etios.


A Nissan é uma marca de altíssimo prestigio no mercado japones e também no mercado americano, aliás, nos Estados Unidos eles são tão comuns e vendem tão bem que as ruas estão cheias  e o mercado de usados também. Mas aqui no Brasil a marca não teve tanto investimento em portfólio na década de 1990, e hoje em dia a impressão que me passa é que ainda não acertou o pé nas vendas. Os carros são bons, o Versa é exemplo claro disso, mas as vendas não o fazem ser um sucesso.

Atenção! Não posso afirmar que seja um defeito do carro, mas o Versa também possui uma história estranha em seu currículo. Lembram dos casos de incêndio dos primeiros HB20? Que nunca foram assumidos pela Hyundai? Pois bem, há história de Versa dos primeiros anos que simplesmente quebravam o eixo. Isso aconteceu com um conhecido meu, que percebeu uma anomalia no carro e um mecânico paralelo o alertou sobre um eixo quebrado. Em contato com a Nissan, a concessionária consertou o carro sem custo, fora da garantia. 


Seria um defeito de projeto que gerou alguns casos de quebra, prontamente atendidos e minimizados pela Nissan? Não podemos descartar essa teoria. Mas, assim como você não pensa de seu HB20 vai pegar fogo, não deve pensar se o seu Versa vai cair a roda, deve apenas fazer o que qualquer motorista faz, presta atenção aos detalhes e cuida da manutenção do seu carro. Cada automóvel que sai de uma linha de montagem corre o risco de ter tido um parafuso mal apertado.

Como trata-se de um modelo relativamente novo, e que não vendeu horrores, sua presença ainda é tímida no mercado de usados. Um bom Versa 2012 custará em torno de R$ 30 mil reais, esse valor vai subindo até próximo dos R$ 50 mil para os mais novos. O carro não sofreu nenhuma mudança drástica desde o lançamento e pode ser considerado uma opção de sedan confortável para a família, se o negócio soar bem. Nesse mercado o nível de concorrência é baixo, não há muitos modelos parecidos. Mas às vezes o bom e velho hatch pode ser uma pedida melhor.


Então é isso! Aquele abraço ao som de Slade!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Guia do Usado - Fiat Punto

Não é só o tamanho de um carro que define a categoria a qual ele pertence, mas sim sua motorização e seus equipamentos. Veja o Vw Fox por exemplo, é um hatch com versões de entrada de motores 1.0, já o Vw Polo também é um hatch, só que mais caro, com opção de motores 1.6 e 2.0. Mas o Fox é mais alto e de medidas muito próximas às do Polo. Da mesma forma, outras marcas, quando querem dar mais status aos seus produtos, os reposicionam em faixas de preço e sub-categorias, como esta dos hatch premium. O Fiat Punto.


Famílias formadas por hatch premium e sedan também são características desse tipo de carro. Polo e Polo Sedan, New Fiesta e Sedan, Punto e Linea. A dupla da Fiat foi lançada em 2008, embora o Punto na Italia exista desde os anos 1990, a ideia era dispor um carro mais sofisticado que a dupla de populares Palio e Uno e um Sedan para substituir o Marea. Concorrente direto dos dois citados nesse parágrafo, foi bem aceito no início de carreira, mas suas vendas não são tão expressivas.

Linhas bem fluídas, tamanho interessante para o uso urbano e motor bem habilitado para viagens esporádicas, o Fiat Punto iniciou sua jornada com motores 1.4 e 1.8, dizem que o menor era fraco e o maior beberrão, mas seu trunfo era o nível de equipamentos, claramente uma estratégia para valorizar os consumidores e estimula-los a pagar um pouco mais. Pelo menos no caso do Punto não há nenhuma maldição daquelas que atingem os Fiat não populares, vide Tipo, Tempra, Marea e Stilo.


Exceto quando falamos do câmbio dualogic, você não sabe quando, nem sabe se vai ser com você, mas sabe que ele deve estragar em algum momento. As versões mais Top do Punto são a Sporting, a limitada Blackmotion e a endiabrada T-Jet, turbo de fábrica, que faz o pequeno hacth voar. O Punto ganhou motor 1.6 em 2011 e foi remodelado em 2013, nova frente e grafias. Esse mais novo é bem contemporâneo e conserva um razoável nível de status nos dias atuais.

O Linea por sua vez, não foi alvo da reestilização, e ofereceu motores 1.8 e 1.9 no início, mantendo só o menor posteriormente. Um sedan de porte médio, bem equipado, mas hoje em dia raro de se ver, devido à suas vendas pouco expressivas. A Fiat mesmo, produziu poucos carros desses, talvez concentrando esforços nos projetos de Moby e Toro, e apenas mantendo o veículo no catálogo para ter a opção, sabendo que venderia menos que os concorrentes.


Hoje em dia eu classificaria o Punto como uma excelente opção até 30 mil de um carro não popular, não há histórico de problemas crônicos e trata-se de um bom carro. Já no caso do Linea, só se for a um preço bastante atrativo, pois a posterior dificuldade de revenda deve ser considerada. Lembre-se que hatch premium é diferente de hatch médio, esses últimos são muito mais carro e também muito mais caros.

Primeira versão, 2008, 1.4 já se encontra até por menos de R$ 20 mil no hacth, 1.8 no sedan na casa dos R$ 25 mil, esses preços são de consumidor final, é possível achar até por menos. Subindo de ano você vai chegar até uns R$ 40/45 mil nas versões mais novas, da pra chegar num 2015/2016 nesse valor. As versões mais especiais aí tem que ser vistas com cautela, os T-Jet custam quase R$ 60 mil, mas da pra encontrar carro com menos de 10.000 km rodados. E por aí vai...


Começando pelo T-Jet, caímos no Linea 1.9 e fechamos com o ELX de 2008. Aquele abraço!